Astrônomos reforçam caça a asteróides perigosos para a Terra

Os astrônomos estão intensificando o esforço global para vasculhar os céus em busca dos chamados objetos próximos da Terra (NEO, na sigla em inglês), asteróides e cometas que apresentem risco de colisão com o planeta, e grandes a ponto de ameaçar a vida na Terra. A União Astronômica Internacional (IAU) informa ter montado uma força-tarefa para ampliar e melhorar a precisão do foco em ameaças de impacto. Especialistas dizem que há um número estimado de 1.100 objetos conhecidos com tamanho superior a 1 km de diâmetro - grandes o bastante não só para apagar um pequeno país do mapa, mas para ameaçar o mundo todo."A meta é descobrir os asteróides assassinos antes que eles nos descubram", disse Nick Kaiser, do Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí, cujo programa Pan-STARRS apontará quatro poderosas câmeras digitais para o céu, em busca de possíveis intrusos. O programa Spaceguard da Nasa, que já identificou 800 dos maiores objetos e tem 103 numa lista de observação de risco de impacto, quer ter 90% dos grandes NEOs catalogados até o final de 2008. O Congresso americano pediu que a agência espacial crie um plano para procurar objetos com tamanho mínimo de 140 metros, registrando posição, velocidade e rota, até 2020. Um objeto espacial relativamente pequeno atingiu a região de Tunguska, na Sibéria, em 1908, liberando energia comparável à de uma bomba atômica de 15 megatons e destruindo 60 milhões de árvores, numa área de 2.150 km2. Se tivesse atingido uma área povoada, a perda de vidas teria sido espantosa.Nesta quinta-feira, A IAU ofereceu um certo conforto a respeito de 99942 Apófis, um pequeno asteróide que passará a apenas 30.000 km da Terra em 2029. Isso é mais perto do que a órbita de alguns satélites, e cerca de 10% da distância entre a Terra e a Lua.Em 2005, cientistas ficaram preocupados com a possibilidade de Apófis chegar ainda mais perto em 2036, com probabilidade de 1 em 5.500 de atingir a Terra com energia suficiente para vaporizar uma cidade do tamanho de Nova York. Mas observações mais recentes reduziram a probabilidade de impacto para 1 em 30.000.Para determinar a chance de colisão, os astrônomos cercam o objeto em questão por uma nuvem de "asteróides virtuais" e mapeiam suas órbitas. Se uma dessas trajetórias interceptar a Terra, o astro recebe uma probabilidade de 1 em 10.000. Novos dados, no entanto, podem alterar essas estimativas, como no caso de Apófis.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.