Ataque às Farc impediu libertação de Betancourt, diz Correa

Presidente do Equador diz que gestionava libertação de 12 reféns das Farc.

Claudia Jardim, BBC

04 de março de 2008 | 03h05

O presidente do Equador, Rafael Correa, disse que as gestões que mantinha com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para a libertação de mais 12 reféns, entre os quais estaria a ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, foram frustradas pelo governo da Colômbia com o ataque à guerrilha em território equatoriano. "Lamento comunicar-lhes que as conversas estavam bastante avançadas para libertar 12 reféns, entre eles Ingrid Betancourt. Tudo foi frustrado pelas mãos belicistas e autoritárias", afirmou Correa, na noite desta segunda-feira, no Palácio de Governo, em Quito. Correa, que rompeu relações diplomáticas com a Colômbia, afirmou que a libertação de Betancourt e de outros 11 reféns poderia ter motivado os ataques que resultaram na morte de Raúl Reyes, o número 2 das Farc e responsável pelas negociações de libertação dos seqüestrados."Não podemos descartar que essa foi uma das motivações para o ataque por parte dos inimigos da paz", disse o presidente equatoriano, em referência ao governo da Colômbia. Classificando de "mentira" a explicação de seu colega colombiano Álvaro Uribe, que apresentou a operação realizada no sábado como de auto-defesa "em um suposto combate que não houve", Correa acusou neste domingo os militares colombianos de "assassinato".Na operação realizada dentro do território equatoriano, 19 guerrilheiros foram mortos. "Motivos humanitários"Imediatamente após a incursão militar, o governo da Colômbia passou a acusar o governo equatoriano, em especial o ministro de Segurança, Gustavo Larrea, de manter vínculos com a guerrilha. Correa contestou, afirmando que o contato com a guerrilha foi realizado por motivos humanitários. "Cabe perguntar o que buscava o governo Uribe eliminando a Raúl Reyes em território colombiano e logo inventando fatos para vincular-nos com as Farc. Por acaso o objetivo é desestabilizar o governo que se negou a participar do Plano Colômbia?", questionou Correa. O Plano Colômbia é um projeto financiado pelo governo dos Estados Unidos, oficialmente para combater as guerrilhas colombianas e o narcotráfico no país. TraiçãoCorrea questionou a posição do governo colombiano ao optar por "regionalizar" o conflito armado colombiano, empurrando o conflito para o Equador e a Venezuela, e pediu solidariedade aos países latino-americanos para frear o que classificou de "precendente nefasto". "Nenhum governo antes havia se atrevido a regionalizar seu conflito. Isso é inédito e inadmissível", disse. "Os governos da América Latina saberão unir-se e deter este nefasto precedente que tentou impor o governo da Colômbia e que não pode ser justificado sob nenhum argumento."O presidente do Equador também acusou Uribe de traição. "À Colômbia, sempre declaramos a paz, oferecemos a mão solidária, mas fomos traídos. Sabemos que não é a traição de um povo e sim de um homem e de um governo. Saberemos defender a pátria", afirmou. Correa começa nesta terça-feira uma gira por cinco países, incluindo o Brasil, para explicar a crise diplomática com a Colômbia. A viagem começa no Peru e passa por Brasil, Venezuela, Panamá e República Dominicana. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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