Ataque de João Henrique a Wagner abala aliança PT-PMDB na Bahia

O candidato Walter Pinheiro (PT) deixou de ser o alvo preferencial do prefeito João Henrique Carneiro (PMDB), que tenta a reeleição para a prefeitura de Salvador. O peemedebista resolveu estender ao governo do Estado e ao PT as críticas que antes dirigia apenas a seu adversário municipal. Em resposta, o governador Jaques Wagner (PT) admitiu em entrevistas que já considera dispensar a aliança com o PMDB para 2010. O tom e a intensidade dos ataques revelam que, se ainda existiam algumas pontes de ligação entre PMDB e PT na capital baiana, elas estão sendo dinamitadas. Políticos locais não acreditam mais numa recomposição entre o atual prefeito e o governador. PMDB e PT compõem a base de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador baiano, que tem como vice um peemedebista. João Henrique e Walter Pinheiro estão tecnicamente empatados nas pesquisas Ibope (44 por cento) e Datafolha (48 por cento para o peemedebista e 41 por cento para o petista). Ao adotar um estilo arrojado nesta campanha - em contraste à sua tradicional conduta de político cordato até mesmo com os adversários - João Henrique surpreendeu até seus aliados. João trocou o PDT pelo PMDB em setembro do ano passado. Desde então, seus adversários afirmam que ele está cada vez mais parecido com o líder do partido na Bahia, o ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima. Parceiro de Wagner até o primeiro turno, ultimamente o prefeito não tem economizado adjetivos quando mira o governo do Estado. Pelo menos dois secretários estaduais foram definidos por ele como "lerdo" e "incompetente", durante debate na TV Itapoan (Rede Record), domingo à noite. Agora, os ataques foram dirigidos ao Partido dos Trabalhadores, seu aliado na administração municipal entre janeiro de 2005 e abril de 2008, quando deixou a coalizão para lançar candidatura própria. BATE-BOCA Durante almoço com a cúpula do PDT, no Hotel da Bahia, João Henrique traçou o que, segundo ele, seria um perfil do partido. "Traição é uma característica do PT", afirmou. O discurso acirra ainda mais os conflitos entre as duas legendas. "Aliança com o PT, nunca mais na minha vida", garantiu. O governador também não foi poupado: "Eu não sei o que seria o governo de Jaques Wagner, hoje, sem o PMDB". Para ele, o que ainda ampara muitos petistas é a popularidade e o carisma do presidente Lula. "Mas, e quando não tiver mais o presidente Lula?", questionou. Os ataques peemedebistas são respondidos pelos petistas no mesmo tom. Ao receber apoio do atual vice-prefeito de Salvador, Marcelo Duarte (PSDB) e de ex-secretários municipais de João Henrique, Walter Pinheiro disse que "Salvador precisa de um prefeito que tenha liderança, que respeite a cidade e seu povo e não fique como uma marionete." O petista aponta "ingerência dos irmãos Vieira Lima" na administração municipal. No caso, o ministro Geddel e seu irmão Lúcio, presidente regional do PMDB, acusados de tutelar o prefeito. Referindo-se à composição de João Henrique com ACM Neto e Paulo Souto, do DEM, e César Borges, do PR, Walter Pinheiro afirma que os peemedebistas tentam "ressuscitar as forças que dominaram a Bahia e foram derrotadas nas eleições de 2004 e agora, no primeiro turno." (Reportagem de Augusto Cesar Barrocas)

AUGUSTO CESAR BARROCAS, REUTERS

21 de outubro de 2008 | 16h36

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