Ashraf Shazly/ AFP
Ashraf Shazly/ AFP

Ataque de milícia em Oeste Darfur, no Sudão, deixa pelo menos 83 mortos

Os confrontos eclodiram no sábado entre a tribo Al Massalit e nômades árabes

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2021 | 16h15

Violentos confrontos entre tribos rivais em Darfur, oeste do Sudão, provocaram a morte de mais de oitenta pessoas em menos de 48 horas, de acordo com o último balance deste domingo, 17. 

Esses confrontos também foram os mais mortais após o fim da missão de paz conjunta entre a ONU e a União Africana (UA) em Darfur em 31 de dezembro, retirada que gerou preocupações de uma escalada da violência entre os habitantes desta grande região. 

"O número de mortos devido aos acontecimentos sangrentos que tiveram lugar em El Geneina, capital de Darfur ocidental, aumentaram desde  sábado de manhã, alcançando 83 mortos e 160 feridos, entre eles membros das forças armadas", tuitou neste domingo o Comitê Central de Médicos do Sudão.

A agência oficial sudanesa SUNA, citando a seção local do sindicato dos médicos, havia informado mais cedo o baçanço de 48 mortos e 97 feridos, acrescentando que os combates ainda continuam.

Os confrontos eclodiram no sábado entre a tribo Al Massalit e os nômades árabes. Milícias pró-nômades , então, atacaram a cidade, onde várias casas foram queimadas.  O primeiro-ministro Abdallah Hamdok enviou uma delegação de "alto escalão" a Darfur Oeste para monitorar a evolução da situação, segundo a agência SUNA.

Terra, água

O conflito que começou em 2003 entre forças leais ao governo central de Cartum e milícias insurgentes deixou cerca de 300.000 mortos e 2,5 milhões de deslocados, especialmente nos primeiros anos, segundo a ONU.

Para combater os insurgentes, o governo central enviou os yanyauid ("homens armados a cavalo"), uma milícia de nômades árabes, acusados de "limpeza étnica" e estupros.

Apesar de a violência ter diminuído na intensidad, os confrontos são bastante frequentes, tanto pelo acesso à terra quanto pelo à água, entre pastores árabes nômades e camponeses de Darfur.

O governo de transição - instalado em Cartum após a queda do presidente Omar al Bashir - assinou em outubro um acordo de paz com vários grupos rebeldes, alguns deles de Darfur.

Após a UNAMID, que contava com cerca de 16.000 efetivos, a ONU permanecerá no Sudão através de uma missão própria enviada para apoiar a transição no país (Minuats). 

Esta missão política terá como tarefa acompanhar o governo de transição, lançado em agosto de 2019 e fruto de um acordo entre militares e líderes do movimento de protesto da sociedade.

Também contribuiria para aplicar os recentes acordos de paz em áreas devastadas pelos conflitos. Omar al-Bashir, que está na prisão, e outros ex-funcionários sudaneses são procurados pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por acusações como "crimes contra a humanidade" e "genocídio" em Darfur./AFP

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