Ataques a Obama revelam preconceito contra muçulmanos nos EUA

A polêmica provocadapela foto de Barack Obama, pré-candidato do Partido Democrata àPresidência dos EUA, vestido com um turbante e uma túnica chamaatenção para o profundo sentimento de aversão aos muçulmanospresente na sociedade norte-americana, disseram observadores. Desde os ataques de 11 de setembro de 2001 contra Nova Yorke Washington, os árabes em geral e os muçulmanos em particulartransformaram-se nos vilões número 1 em filmes e programas deTV dos EUA, afirmou Jack Shaheen, autor do livro "Guilty --Hollywood's Verdict on Arabs After 9/11" (cuja tradução éCulpados -- o veredicto de Hollywood sobre os árabes depois do11 de setembro). "Não há equilíbrio nenhum nisso. Isso é algo tãodespropositado quanto ver os asiáticos ou os afro-americanoscomo terroristas", disse. A polêmica em torno da foto, segundo Shaheen, deve-se aofato de "ele (Obama) ser negro, sejamos francos", e ao fato dea roupa tradicional que vestiu quando em visita ao Quênia, aterra natal do pai dele, lembrar os trajes usados pelosmuçulmanos. Quando a foto apareceu em um site da Internet, nestasemana, o comitê de campanha de Obama acusou assessores de suarival nas prévias democratas, Hillary Clinton, de teremcometido o ato "mais vergonhoso e boateiro" da disputa. Os aliados de Hillary negaram ter divulgado a imagem. Obama, que é cristão, viu-se atingido por boatos mentirososafirmando que ele é muçulmano. O nome do meio do pré-candidato--Hussein-- tem sido usado por alguns para ligá-lo ao ditadoriraquiano Saddam Hussein, já morto. "Mas o interessante é que ninguém disse: 'E daí? E se elefosse muçulmano, qual seria o problema?"', afirmou Shaheen. Ahmed Rehab, diretor-executivo da Seção de Chicago doConselho sobre Relações Americano-Islâmicas, disse que oincidente envolvendo a foto enviava uma mensagem desalentadorapara um muçulmano criado nos EUA e eventualmente interessado emtornar-se presidente do país. "O mero boato sobre uma pessoa ser muçulmana --que dirá sefor realmente muçulmana-- está sendo usado como instrumentopara destruir as aspirações políticas de alguém, o que vai deencontro a tudo que defendo", afirmou Rehab. "Quando se trata dos muçulmanos, os discursos inflamatóriossurgidos neste ano eleitoral variam entre os meramenteexcludentes aos pura e simplesmente preconceituosos", disseele, acrescentando que nem Obama e nem qualquer outropré-candidato manifestou-se de forma apropriada a respeito daatmosfera de rechaço aos muçulmanos. Novos ataques centrados na religião e na identidade étnicadevem surgir se Obama se consolidar na liderança da corridapela vaga democrata nas eleições presidenciais de novembro. Nesta semana, o Partido Republicano do Tennessee divulgouum boletim noticioso com a foto de Obama e o título:"Anti-Semitas a favor de Obama". O artigo, que discorria sobre o suposto apoio recebido pelopré-candidato de figuras consideradas anti-semitas, transcreveuo nome inteiro dele: "Senador Barack Hussein Obama".

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