Ataques fecham ano violento no Afeganistão

Nos últimos dias do ano, 13 pessoas morreram, incluindo uma jornalista

Gustavo Chacra, CORRESPONDENTE, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

31 Dezembro 2009 | 00h00

Uma série de ataques contra alvos ocidentais no Afeganistão encerraram o ano em que a guerra afegã virou prioridade dos EUA. Em um dos episódios mais sangrentos da história da CIA, sete agentes do serviço secreto e um funcionário local foram mortos na quarta-feira em um atentado suicida contra uma base em Khost, perto da fronteira com o Paquistão. Em outro ataque, quatro militares e uma jornalista canadenses morreram.

No atentado contra a base da CIA, o suicida vestia um uniforme do Exército afegão. As investigações ainda não concluíram se ele havia roubado a vestimenta ou se integrava as forças armadas do Afeganistão.

O ataque foi o mais letal contra a agência americana, que, desde a sua criação, em 1947, havia perdido apenas 90 funcionários em ação. Apenas em 2009, morreram 310 americanos dos EUA no Afeganistão - o número é o dobro do registrado no ano passado. Desde a invasão do país, em outubro de 2001, 949 americanos morreram em no conflito.

"A operação foi realizada por um valioso membro do Exército do Afeganistão", disse Zabihullah Mujahid, que atua como porta-voz da milícia extremista Taleban, que reivindicou a autoria do atentado. Já o Ministério da Defesa afegão negou que o terrorista fosse um soldado.

Caso o Taleban esteja falando a verdade, o ataque seria um revés para o governo do presidente dos EUA, Barack Obama, que anunciou recentemente o envio de mais 30 mil soldados para lutar no país, ampliando o contingente americano para 100 mil homens, cujo objetivo seria treinar tropas afegãs.

Após saber dos ataques, Washington se restringiu apenas a lamentar as mortes e confirmou que eram membros da CIA. O serviço secreto tem ampliado suas operações em território afegão nos últimos meses. O ataque é considerado o mais grave contra a agência de inteligência americana desde os atentados de 11 de Setembro.

SIGILO

O diretor da CIA, Leon Panetta, ordenou que não fossem divulgadas mais informações a respeito dos agentes em razão da "natureza de suas missões e por causa de outras operações em andamento".

Segundo informações preliminares, o suicida penetrou na instalação militar no início da noite do dia 30 e conseguiu chegar até a academia, onde se explodiu. O número de vítimas pode crescer porque seis americanos ficaram gravemente feridos na explosão.

Até o momento, não está claro se, entre os sete funcionários da CIA mortos, todos eram contratados em tempo integral pela agência ou apenas prestavam serviços. Nesta região, a CIA costuma comandar operações secretas contra alvos da Al-Qaeda e do Taleban, incluindo o uso de aviões não-tripulados usados em bombardeios.

PADRÃO

Não foi a primeira vez que as forças americanas foram alvos de ataques em Khost. No entanto, os militantes sempre tiveram dificuldades para conseguir atravessar o portão principal de bases americanas, como ocorreu ontem. O mais comum, até então, eram atentados contra soldados quando eles estavam fora da segurança de suas bases.

Já os canadenses foram mortos por uma bomba quando o comboio militar trafegava por uma estrada da Província de Kandahar. Eles estavam a caminho de uma pequena comunidade envolvida em trabalhos de reconstrução. A jornalista Michelle Lang, de 34 anos, que também morreu no ataque, trabalhava para o jornal Calgary Herald e estava no Afeganistão desde o dia 11 de dezembro.

Em um outro incidente ocorrido ontem, dois jornalistas franceses foram sequestrados por insurgentes quando viajavam em uma área ao norte de Cabul, acompanhados pelo tradutor e o motorista. Eles trabalham para uma TV da França.

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