Até 2030, 42% da população dos Estados Unidos será obesa

Apesar de alarmante, dado foi considerado positivo, pois crescimento desacelerou; peso ideal será exceção

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

13 Maio 2012 | 03h06

A obesidade dos Estados Unidos mais que dobrou nas últimas três décadas e deve atingir 42% da população até 2030. Além disso, cerca de um terço dos americanos estará com sobrepeso, fazendo com que as pessoas com peso ideal ou magras se tornem uma minoria no país.

Os dados são do Centro para Controle e Prevenção de Doenças, em Washington, e foram publicados nesta semana. Apesar dos números alarmantes, a notícia foi considerada positiva porque o crescimento desacelerou nos últimos anos em comparação às décadas de 1980 e 1990.

Ainda assim, diz o diretor do órgão, William Dietz, mesmo que a obesidade permanecesse no patamar atual, "já seria um problema muito grave".

Doenças como diabete tipo 2, que passou a afetar também crianças americanas nos últimos 20 anos, e cardíacas são algumas das várias associadas à obesidade. O tratamento dos problemas de saúde provocam um custo bilionário para os EUA.

Estruturas. O aumento do peso da população exige alterações em equipamentos do país.

Ônibus nas cidades americanas estão sendo reforçados para aguentar o peso dos passageiros. As camas nos hospitais também são fabricadas com materiais mais resistentes. Cadeiras nos estádios inaugurados recentemente, como os dos times de beisebol do Yankees e do Mets, em Nova York, são mais largas do que no passado. As poltronas dos aviões na classe econômica já não comportam alguns passageiros com obesidade mórbida, que deve atingir 11% dos americanos em 2030.

O custo total para a sociedade é de US$ 190 bilhões por ano. Parte desse valor é bancado por não obesos que precisam pagar mais em seus seguros, de acordo com levantamento do economista da saúde Eric Finkelstein, da Universidade Duke.

Até mesmo o presidente Barack Obama está envolvido no debate. O líder americano incluiu uma cláusula na lei de reforma do sistema de saúde, aprovado em 2010, que permite aos empregadores cobrar de 30% a 50% a mais nos seguros de seus funcionários obesos caso estes não concordem em participar de programas de emagrecimento.

O Instituto de Medicina, organização acadêmica com base em Washington, discorda que as pessoas com obesidade deveriam ser responsabilizadas por estarem nessa condição. Os movimentos ativistas em defesa dos obesos também. Alguns já se comparam aos fumantes no passado e se sentem reprimidos ao comerem uma pizza.

Lynn McAfee, diretora do The Council on Size & Weight Discrimination, entidade de defesa do direito de ser gordo, diz que "empresas se recusam a contratar pessoas de tamanho grande (um dos termos usados como sinônimo de gordo), especialmente para funções de interação com o público. Universidades recusam alunos acima do peso e há até casos de quem não consegue alugar apartamentos por ser obeso".

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