Atirador da Noruega provavelmente agiu sozinho, diz polícia

A polícia da Noruega acredita que Anders Behring Breivik provavelmente agiu sozinho nos ataques que mataram 76 pessoas na semana passada, no pior massacre no país nórdico desde a 2a Guerra Mundial.

ALISTER DOYLE E TERJE SOLSVIK, REUTERS

25 de julho de 2011 | 20h40

Breivik, um fundamentalista cristão, mencionou a existência de outras células que teriam colaborado com ele. Mas uma fonte próxima à investigação disse à Reuters que "o acusado tem uma credibilidade bastante baixa no que tange a tal alegação, mas nenhum de nós tampouco ousaria rejeitar isso completamente".

Os investigadores duvidam também da declaração de Breivik de que ele seria parte de uma rede ultradireitista de "cruzados" anti-islâmicos -- a polícia considera que provavelmente isso se trate da fantasias de um psicopata, que escreveu esses exageros para confundir as investigações.

Na terça-feira, o ministro da Justiça, Knut Storberget, vai se reunir com chefes de polícia que estão sendo criticados por levarem mais de uma hora para conter a chacina promovida por Breivik numa ilha, depois da explosão provocada também por ele no centro de Oslo.

A bomba deixou oito mortos, e o massacre na ilha fez 68 vítimas fatais, a maioria adolescentes.

A conclusão de que Breivik, de 32 anos, agiu sozinho com a intenção de proteger a Europa do "marxismo cultural" e da "invasão muçulmana" causou alívio entre os noruegueses.

Mais de 100 mil deles participaram de uma manifestação na noite de segunda-feira em Oslo, muitos com rosas brancas e vermelhas. Dezenas de milhares se reuniram também em cidades como Tromsoe e Bergen.

O objetivo das manifestações era homenagear as vítimas e demonstrar a unidade do país depois do ataque, que teve como alvo prédios do governo e um acampamento de férias do Partido Trabalhista (governista).

Num sinal de que a polícia também descarta a hipótese de cúmplices no ataque, os controles fronteiriços adotados na sexta-feira foram suspensos na noite de segunda. A Noruega não solicitou investigações a outros países nem elevou seu nível de alerta contra o terrorismo.

A polícia se defendeu também da tese de que algum alerta deveria ter sido feito com relação a Breivik, que deixou na Internet 1.500 páginas prenunciando os ataques. A chefe do serviço de segurança da polícia (PST) disse que "nem a Stasi", temida polícia política da extinta Alemanha Oriental, teria detectado essa ameaça.

O PST disse que o nome de Breivik apareceu só uma vez, numa lista de 50 a 60 noruegueses enviada pela Interpol, depois de ele ter pago 120 coroas (22,16 dólares) a uma companhia polonesa que lhe vendeu produtos químicos. Breivik teria entrado numa lista de observação, mas as autoridades não viram razão para agir.

Breivik provavelmente será condenado à prisão perpétua por seus crimes. Ele assumiu o ataque, mas rejeitou a responsabilidade penal. Até o pai dele ficou horrorizado.

"Nos meus momentos mais sombrios, acho que em vez de matar toda essa gente ele deveria ter tirado a própria vida", disse o homem, que vive na França, a um canal de TV norueguês.

(Com reportagem de Walter Gibbs, Anna Ringstrom, Henrik Stoelen, Wojciech Moskwa, Terje Solsvik, Patrick Lannin, Johan Ahlander, John Acher, Jon Hemming, Mohammed Abbas, Victoria Klesty e Ole Petter Skonnord)

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