Atividade de cria pode ser vantajosa

Com o preço do bezerro em alta, pecuaristas que abastecem seu próprio rebanho conseguem fugir das cotações do mercado

O Estado de S.Paulo

31 Dezembro 2008 | 03h57

Nos últimos anos a pecuária brasileira entrou no ciclo de baixa produção. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comprovam a tendência de redução do plantel de matrizes. Conforme o IBGE, em 1998 abateram-se 3,8 milhões de vacas, número que foi aumentando ano a ano e em 2006 chegou a 11,2 milhões.O grande número de matrizes abatidas nos últimos anos causou queda na oferta de bezerros. Não à toa, este ano o preço do bezerro subiu mais de 100% em todas as praças do País. Para se ter idéia, em julho de 2006 a cotação do bezerro com cerca de 5,5 arrobas em Mato Grosso do Sul era em torno de R$ 342. Em julho deste ano chegou a R$ 725, conforme levantamento da Scot Consultoria. "É uma valorização significativa. E a fase de alta deve continuar. 2009 deve continuar um bom ano para o mercado de bezerros", avalia Maria Gabriela Tonini, da Scot.Em tempos de baixa produção e alta de preços, o pecuarista que faz apenas cria ou todo o ciclo reprodutivo - cria, recria e engorda - está conseguindo reduzir os custos de produção e garantir melhor rentabilidade. Para a analista Maria Gabriela, a vantagem para o pecuarista que faz todo o ciclo é não depender da variação do preço de mercado na hora de repor o rebanho. "O pecuarista que cria pode controlar o custo de produção."Mesmo assim, muitos pecuaristas preferem fazer apenas recria ou engorda, porque a atividade de cria exige um manejo específico e demanda maior mão-de-obra. "Dá mais trabalho criar. É preciso ter estrutura e muito cuidado. Se compararmos, o custo de cria é maior que o de engorda. Mas atualmente compensa, porque o custo de cria está mais baixo que o preço do bezerro no mercado", diz o veterinário Reinaldo Ledesma, administrador da Fazenda Santa Bárbara, em Ivinhema (MS), que faz todo o ciclo de produção.A opção por fazer todo o ciclo pecuário é uma tradição na fazenda, diz Ledesma. "Além de reduzir o custo numa fase como a atual, a principal vantagem é ter garantido um bezerro de qualidade. Com dois anos os animais atingem 18 arrobas e já mandamos para abate. Conseguimos terminar mais cedo", destaca o veterinário. Mas todos os animais nascidos na fazenda abastecem o rebanho comercial da própria fazenda. "Não vendemos bezerros. Ao contrário, temos de comprar um pouco de fora. Nesta fase de preços altos, quanto menos comprar, melhor. Este ano, quando o preço começou a subir muito, paramos de comprar. Mas o produtor que faz engorda e precisa comprar não tem opção, tem de pagar o preço." Esta seção, que tem por objetivo fomentar a raça nelore, resulta de parceria entre o Suplemento Agrícola e a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB)

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