Ativista ameaçado de morte abandona casa no RJ

Vizinhos relataram que suspeitos buscaram informações sobre o defensor da Baía de Guanabara

Marcelo Gomes, Agência Estado

07 de novembro de 2012 | 17h54

RIO DE JANEIRO - Quatro meses depois de afirmar em entrevista ao Estado que não pretendia deixar sua casa na Praia de Mauá, em Magé, na Baixada Fluminense, apesar das inúmeras ameaças de morte que vinha recebendo devido ao seu ativismo na defesa dos pescadores artesanais da Baía de Guanabara, Alexandre Anderson de Souza, de 41 anos, foi retirado do Estado do Rio junto com sua família na manhã do último sábado, 3. Ele e a mulher, Daize Menezes de Souza, estão desde 2009 no Programa de Proteção a Defensores dos Direitos Humanos (PPDDH) do governo federal.

A decisão de retirá-los de casa, onde contavam com escolta de policiais militares 24 horas por dia desde setembro de 2010, ocorreu após vizinhos relatarem que no dia 29 de outubro homens em dois carros percorreram o bairro querendo informações sobre a rotina do casal. "Alguns vizinhos nos disseram que os homens nesses dois carros perguntavam o horário que estávamos em casa, que horas a gente saía, etc. Por precaução, decidimos fugir com ajuda do programa de proteção", disse nesta quarta-feira, 7, Daize, por telefone.

Souza preside a Associação Homens do Mar (Ahomar) - entidade que, desde 2009, teve quatro líderes executados. Os dois últimos foram mortos em junho deste ano. Os crimes ainda não foram esclarecidos pela Polícia Civil. Na noite do último domingo, um outro assassinato em Magé alimentou ainda mais o medo que ronda a família de Souza. O pastor evangélico Vitor José Teixeira, de 43 anos, foi executado na frente da mulher e dos filhos de 16 e 17 anos. O crime foi cometido por dois homens que estavam numa moto.

A família acredita que o pastor foi assassinado por engano, porque ao abordarem a vítima, os criminosos perguntaram se ele se chamava Alexandre. O delegado Robson da Costa Ferreira, da 65ª Delegacia de Polícia (Magé), disse que vai investigar a possibilidade de o pastor ter sido morto no lugar do pescador. "Já sabemos que o pastor era ex-PM e tinha passagens por estelionato. Mas vamos investigar todas as hipóteses", afirmou o delegado.

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