Ato acaba com tentativa de invadir sede do governo de SP

Cerca de 30 manifestantes que participavam do Movimento Passe Livre (MPL) em São Paulo quebraram o portão e tentaram invadir o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, zona sul da capital paulista. Rojões foram disparados para dentro do prédio e os policiais militares que guardam o local tiveram de soltar bombas de gás lacrimogêneo para impedir a invasão.

ARTUR RODRIGUES, PAULO SALDAÑA E TIAGO DANTAS, Agência Estado

18 de junho de 2013 | 08h44

Os funcionários da sede do governo paulista ficaram ilhados. Manifestantes tomaram controle de dois ônibus que passavam pela Avenida Morumbi e os estacionaram no meio da via - um deles ficou completamente atravessado, bloqueando o caminho, e teve o vidro da frente quebrado. Parte do grupo ainda fez duas fogueiras na frente do prédio. Foi o fim violento de uma manifestação que foi praticamente pacífica na noite de ontem.

O confronto na sede do Executivo paulista começou por volta das 22h30. Milhares de manifestantes resolveram ir para a frente do palácio depois de tomar a Ponte Octavio Frias de Oliveira, sobre o Rio Pinheiros. A ideia era uma concentração pacífica, mas um grupo de punks tentou invadir o local. O major Paulo Wilhelm de Carvalho, que acompanhou toda a marcha pacífica desde o Largo da Batata junto com outros seis policiais, teve de entrar no palácio quando o quebra-quebra começou.

A pedido da liderança do movimento, muitos manifestantes se sentaram para acalmar os ânimos. Alguns desistiram de ficar por ali e voltaram pela Avenida do Morumbi para a Marginal do Pinheiros.

No entanto, o grupo violento continuou com as depredações no Portão 2 do palácio. Alguns pichavam as paredes das entradas do palácio com frases como "Eu tenho meu direito", "atentado punk", e "PM fdp". Outros quebraram a placa que indicava a entrada de pedestres do local e tentavam usar os pedaços da madeira como um aríete na porta lateral, sem sucesso.

A maioria dos manifestantes tentava acabar com a depredação. Sempre que alguém mais exaltado subia na marquise do portão principal ou chutava a porta, a massa gritava para ele parar. As lideranças organizaram uma comissão com cinco pessoas para tentar um diálogo com representantes do governo estadual.

O estudante Vitor Demétrio, de 19 anos, era parte dessa maioria. "A manifestação seguiu pacífica por quatro horas. Algumas pessoas queriam entrar de qualquer jeito e não estavam sabendo negociar. A gente tem como fazer isso e poderia ter negociado até a entrada no palácio, mas pelo jeito a gente vai perder essa chance." Por volta das 23h05, o grupo que atacava a entrada de carros continuava a bater e soltar rojões no portão até que parte dele cedeu.

Resistência

A maioria dos participantes ainda pedia paz. Entre eles estava Rodrigo Gabriel Pires, de 26 anos, criador do movimento Queremos Ética. Ele ficou entre os invasores e o portão quebrado do Palácio dos Bandeirantes. Aos gritos, tentou impedir que o grupo entrasse e impedir a depredação. Como resposta, levou um soco no peito e teve o celular roubado. "Não é com violência que se resolve isso, é com inteligência", lamentou.

Quando os punks finalmente conseguiram uma abertura no portão 2, a Polícia Militar entrou em ação. E então explodiram as únicas bombas de gás lacrimogêneo em São Paulo na noite de ontem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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