Ato de sindicatos vai de 'Fora Sarney' a 'Volta Zelaya'

A diversidade de manifestações marcou o protesto que uniu 3 mil integrantes de centrais sindicais e entidades do movimento social na Avenida Paulista, na Capital, na manhã de hoje. Os gritos pediam desde a saída do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), até a restituição do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya. Bandeiras vermelhas das centrais de trabalhadores confundiam-se com as da mesma cor do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e somavam-se às bandeiras lilases de grupos feministas. A passeata partiu às 11 horas da Praça Oswaldo Cruz e chegou pouco depois das 12 horas ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), onde foi encerrada com um ato político de mais de uma hora.

CAROLINA FREITAS, Agencia Estado

14 Agosto 2009 | 16h51

Os líderes sindicais criticaram à exaustão, do alto de um caminhão de som, os governadores de São Paulo, José Serra, e do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, ambos do PSDB. Serra foi acusado de "privatista", pelo deputado federal Ivan Valente (PSOL), por vender empresas estaduais, como o Banco Nossa Caixa. Yeda foi lembrada pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique da Silva, por coordenar um "governo corrupto". Sobrou munição para exigir a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, a garantia de emprego em tempos de crise, a reforma agrária e a gestão nacional do petróleo da camada pré-sal.

Com os principais nomes da eleição presidencial de 2010 já delineados - Serra pelo PSDB e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pelo PT - os líderes sindicais fizeram questão de tomar partido. Sem citar o nome de Dilma, preocuparam-se em atacar o governador paulista. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, recomendou "cuidado" aos que discursavam: "Não podemos ofender um governo (federal) que fez tanto por nós para, ano que vem, correr o risco de ver eleito (presidente) esse picareta do Serra." O presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores, José Calixto Ramos, acusou o governador paulista de "congelar salários e reprimir movimentos sociais".

O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, separou a eleição de 2010 em "dois lados". "O lado neoliberal e o lado que vai manter o Brasil no rumo do desenvolvimento", disse Gomes. "Estamos do lado dos que vão continuar o trabalho feito nos últimos oito anos." O presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antonio Neto, reforçou a ideia da cisão apresentada por Gomes: "Há o lado da classe operária e o lado dos que são contra a classe operária."

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