Ato do MST mira Gilmar Mendes

Líder diz que haverá invasões, incluindo área da Cutrale

José Maria Tomazela, IARAS, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 00h00

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, foi alvo de ataque do Movimento dos Sem-Terra (MST), durante ato na região de Iaras, no centro-oeste de São Paulo. Mendes se transformou "em porta-voz dos setores mais retrógrados da sociedade", disse o coordenador nacional do movimento, Gilmar Mauro, que não descartou novas invasões, incluindo a própria fazenda da Cutrale. "Continua na mira, assim como outras áreas griladas ou improdutivas."

A manifestação de ontem, que teve como objetivo lembrar a existência de terras públicas griladas, reuniu cerca de 600 militantes no assentamento Zumbi dos Palmares, a três quilômetros da fazenda Santo Henrique, da Cutrale, depredada pelo MST neste mês. Mendes havia criticado a destruição de laranjais na propriedade e reafirmado que os recursos públicos liberados para entidades ligadas ao movimento deveriam ser cortados.

Mauro recomendou que o ministro faça valer a Constituição, que manda destinar à reforma agrária as terras que não cumprem a função social. "Se a Constituição não é cumprida, que moral ele tem para criticar o MST? Ele que vá dar conselhos aos filhos dele", declarou.

O coordenador também criticou a CPI aberta pelo Congresso para investigar o repasse de verbas ao movimento. "Qual é a moral desses deputados?", indagou Mauro . "Eles deveriam vir no meio do mato conversar com esse povo, que não está aqui para fazer piquenique." Segundo ele, a comissão de inquérito é uma forma de criminalizar o movimento. "Vamos fazer novas ocupações ainda este ano e no ano que vem", afirmou. "Estamos avisando a todos que vamos continuar aqui."

Coordenador estadual do MST, Delweck Matheus disse que a região tem 80 mil hectares de terras griladas, que tiveram os recursos naturais destruídos. "Por causa de uns pés de laranja se criou uma comoção nacional, passando por cima do grilo." Ele convocou os sem-terra para "lutar" pela transformação da área "numa grande região de assentamentos". E afirmou: "A reforma agrária vai sair na marra."

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