Ato em memória de vítimas do Césio 137 começa em SP

Um ato em memória às vítimas do acidente radioativo com o césio 137, em Goiânia, reuniu cerca de 60 pessoas hoje, em frente ao Teatro Municipal, em São Paulo. Vestidos de preto, os ativistas deitaram no chão enquanto uma pessoa disfarçada de morte representava os riscos da energia nuclear. A morte simbólica foi uma maneira de lembrar os quase 60 mortos e as milhares de pessoas afetadas pelo acidente com a cápsula radioativa de césio 137, em Goiânia, que completa 20 anos esta semana. O ato foi uma iniciativa do Greenpeace e da Fundação SOS Mata Atlântica e contou com a participação de Santos Francisco de Almeida, representante da Associação dos Militares Vítimas do Césio 137 (AMVC-137). O secretário estadual de Meio Ambiente de São Paulo, Xico Graziano, esteve presente ao ato. Até hoje, o fato ocorrido em Goiânia, em 1987, é considerado o pior acidente radiológico em área urbana da história. No dia 13 de setembro daquele ano, dois catadores encontraram uma peça de metal que continha uma fonte de césio 137 nas ruínas abandonadas do Instituto Goiano de Radioterapia. Alguns dias depois, a peça foi vendida para um ferro-velho e desmontada por Devair Ferreira, que ficou fascinado com o que encontrou dentro do cilindro de metal: um pó azul que brilhava no escuro, o césio 137.No dia 19 de setembro, Devair levou o pó para casa e o material virou atração para a família e os amigos. Muitos deles ganharam de presente um pouco do pó, e assim, tragicamente, o césio 137 foi se espalhando e fazendo mais e mais vítimas. Quando o acidente foi descoberto, as autoridades mandaram policiais e bombeiros sem proteção para isolar a área. Eles também acabaram se contaminando. As vítimas tiveram suas casas e pertences destruídos e levados para um aterro. Os trabalhadores que fizeram a demolição e o transporte do material também se contaminaram.Estima-se que as 19 gramas de césio 137 contidas naquela fonte fizeram mais de 60 vítimas e contaminaram mais de seis mil pessoas, segundo dados da Avicésio. Os afetados sofrem com problemas como câncer, defeitos genéticos, seqüelas psicológicas e preconceito. A tragédia ainda deixou como herança mais de 20 toneladas de lixo radioativo. O Greenpeace e a SOS Mata Atlântica, entidades promotoras do ato em São Paulo, afirmam que o 20º aniversário da tragédia de Goiânia serve como um momento de reflexão para a sociedade brasileira."Agora que o governo federal anuncia a retomada do programa nuclear brasileiro, a sociedade deve se mobilizar e deixar claro que não quer conviver com mais este risco", afirmou Mário Mantovani, da SOS Mata Atlântica. Nesta quinta-feira, o Greenpeace apoiará os atos da Associação das Vítimas do Césio 137 em Goiânia (GO).

PAULO R. ZULINO, Agencia Estado

11 de setembro de 2007 | 12h58

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