Fábio Motta/AE
Fábio Motta/AE

Ato lembra 20 anos da Chacina da Candelária, no Rio de Janeiro

Grupo se reuniu nesta sexta-feira com representes de ONGs para uma missa em memória das vítimas

ROBERTA PENNAFORT, Agência Estado

19 de julho de 2013 | 17h13

Os 20 anos do assassinato de oito crianças e adolescentes de rua em frente à Igreja da Candelária, no centro do Rio, episódio que ficou conhecido como a Chacina da Candelária, foram lembrados nesta sexta-feira e quinta-feira, 18. Na quinta à noite, uma vigília reuniu familiares de vítimas dessa e outras chacinas ocorridas no Estado, que estenderam faixas na porta da igreja e acenderam velas.

Nesta sexta pela manhã, o grupo se uniu a representes de ONGs e a crianças atendidas por projetos sociais e encheram a Igreja da Candelária para uma missa em memória das vítimas. Em seguida, o grupo, de cerca de cem pessoas, seguiu em passeata pela Avenida Rio Branco até a Cinelândia.

O ato é anual. As faixas pediam, entre outras medidas, a desmilitarização da polícia e a não redução da maioridade penal. Débora Maria da Silva, de 54 anos, do grupo de São Paulo Mães de Maio, que tem assento no Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, veio ao Rio dar seu apoio.

"As pessoas falam que ''o gigante acordou'', mas as mães que perderam seus filhos nunca dormiram", disse Débora, cujo filho, Edson Rogério dos Santos, de 29 anos, foi morto em 2006 pela polícia, que revidava os ataques do grupo criminoso PCC.

A chacina foi na noite de 23 de julho de 1993. Mais de 50 crianças e jovens dormiam na escadaria na Candelária e arredores. Quatro foram mortos a tiros ali mesmo. Um foi assassinado ao tentar fugir. Outro morreu dias depois em decorrência dos ferimentos. Dois foram levados de carro pelos criminosos até o Aterro do Flamengo, onde foram executados.

Hoje com 39 anos, Wagner dos Santos, ferido na chacina e principal testemunha do crime, vive na Suíça. Sua irmã, Patrícia Oliveira, participa ativamente dos atos. "As chacinas não podem ser esquecidas. Os familiares das vítimas se dão muito apoio, todos se juntam quando tem manifestação. Não mudou muita coisa de 1993 para cá, tanto que aconteceram mais mortes".

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