Atolado de bode

Ovinos e caprinos - Mocotó

03 de dezembro de 2009 | 15h31

Anna Angotti & Demian Takahashi: "Que sabor é esse mesmo?", ficamos nos perguntando, enquanto nos lambuzávamos com o cabrito e a cremosíssima mandioca. Era um gosto muito familiar, enterrado lá no fundo da garganta. "Cominho!", finalmente puxamos da memória. Que felicidade! Estávamos diante de um prato sem medo do coentro, do cominho, desses temperos já quase banidos dos restaurantes paulistanos. Sentíamos, porém, que o bode atolado poderia render ainda mais, ser mais agreste. Então pusemos umas gotinhas da pimenta que estava à mesa e - puf! - o sabor do cabrito apareceu todo de uma vez. Um delicioso coice na cara.Blog Alho, Passas e Maçãs: O bode do título, sabemos, é uma provocação. O prato é feito com cabrito - o que não deixa de ser incomum numa cidade em que tem muito carneiro se passando por cabrito: tanto que nem se fala mais em "comprar gato por lebre"; o ditado mudou para "comer carneiro por cabrito". Pois bem, o bode (quer dizer, o cabrito) é guisado e, depois, assado. Vem com tomatinhos adocicados, cebolinhas adocicadas, azeitonas e cheiro verde (não adocicados). Principalmente, vem com mandioca, macia e gostosa. Prato bem pensado, bem equilibrado, bom. A única nota que desafinou no dia da visita foi o sabor, discreto demais, do cabrito (ah, se fosse bode...). Sei que bom cabrito não berra, mas este bem que podia berrar um pouco mais no sabor.Braulio Pasmanik: O bode é bom, mas sensacionais são os pedaços de mandioca cozidas e servidas "atoladas" sob a carne.Jacques Trefois: Prato gostoso, com a carne macia e saborosa e uma mandioca cozida, excelente. Bom prato, não muito leve, entretanto bem apetitoso.Janaina Fidalgo: No dia da visita, ao contrário de outras vezes provado, estava duro demais. Mas há que se ressaltar a perfeição da mandioca e deliciosa acidez do molho, com suas cebolinhas, tomates e azeitonas.Luiz Américo Camargo: Já um clássico do hábil cozinheiro Rodrigo Oliveira, este bode - que é cabrito - é quase ofuscado pela mandioca que o escolta. É na esquina de uma criação como essa que o sertanejo encontra o chef.Luiz Horta: O mocotó continua sendo a universidade do sertão em São Paulo. Não teve para ninguém, prato perfeito e brilhantemente executado, leveza na dureza. Consegue o impossível , que comer bode seja considerado fino.Neide Rigo: Já comi muitas vezes o Atolado de Bode e, como sempre, estava espetacular. Farto, suculento e perfumado, o prato tem "cabritice" inconfundível, mas discreta e juvenil que só remete ao bode lá longe. Tem sal correto, tempero delicioso e chega à mesa pegando fogo. Fazendo cama para a carne, os toletes macios de mandioca absorvem parte do tempero do molho sem perder a personalidade. No final, ainda, se pode pedir uma boa farinha crocante e pimenta para não desperdiçar nem uma gota sequer do precioso molho.Patrícia Ferraz: Não é meu prato preferido no Mocotó, embora estivesse bem feito, a carne sobre o purê de mandioca, o molho marcante e equilibrado.Roberto Smeraldi: Um belo prato popular com alma e substância. A carne, bem marinada, desmancha. Chega à mesa com o inebriante aroma do cominho e se faz comer com vontade até o fim, incluindo a saborosa mandioca cozida que recebe o molho generoso e denso.

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