Atuação no Olaria rende vaga na seleção para haitiano

Lateral conta que passagem pelo Olaria nos anos 90 lhe deu ''moral'' no Haiti.

Bruno Garcez, BBC

10 de setembro de 2007 | 06h20

São poucos os jogadores brasileiros que sonhariam em atuar pela modesta equipe carioca do Olaria. Mas o lateral haitiano Kowsky Sainvil, que vestiu a camisa do time entre 1994 e 1995, conta que não só voltaria feliz a integrar a equipe, como também que ela o ajudou a se projetar no Haiti e a ganhar uma vaga na seleção do país. ''''Fiquei com muito moral, porque joguei no Brasil. Depois do Brasil, fiquei muito valorizado no Haiti, peguei seleção. Foi muito bom para mim e para o meu país. Aqui, todo mundo me chama de brasileiro-haitiano'''', disse o jogador de 28 anos à BBC Brasil. Kowsky, que atua no time haitiano Don Bosco, diz que gostaria de ter ''''a sorte de voltar a jogar no Brasil''''. ''''Isso me daria a chance de jogar fora, por uma outra equipe, Me dá um currículo. Mesmo sendo por um time como o Olaria, da Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro, não tem problema. É legal jogar no Brasil.'''' O meia brasileiro Eduardo Ferreira Carvalho, que joga pela equipe haitiana do Racing, trabalha como treinador juntamente com Kowsky em uma escolinha de futebol de Porto Príncipe e faz elogios ao jogador.''''É um jogador muito técnico, que cruza bem e que tem um bom físico. Tanto ele é bom, que esteve no Brasil, que não é para qualquer um. Ele gosta de treinar e sabe jogar com a bola. Além do mais, é um bom cobrador de faltas'''', afirma. O atleta haitiano ainda guarda vívida na lembrança a sua passagem pelo Brasil. Ele conta ter feito amigos na equipe da rua Bariri e lembra emocionado de uma das melhores partidas que disputou por seu time.''''Ganhamos por 3 a 0 do Flamengo no Maracanã. É uma coisa que me marca até hoje. Lá (no Brasil), todo mundo fala que o Flamengo é o time com a maior torcida do mundo.''''Talvez não seja à toa que Kowsky revele que sua equipe do coração é o Vasco da Gama, o arqui-rival do Flamengo. Um dos encontros marcantes que teve no Brasil foi justamente com o atacante vascaíno Romário. Kowsky conta que até hoje guarda uma foto na qual aparece ao lado do Baixinho. No futebol brasileiro, o atleta hatiano conta admirar Jorginho, lateral que atuou pela Seleção Brasileira, em 1994, e que foi destaque do Flamengo e do Vasco. ''''Eu sou lateral direito, como ele. E gosto de ir ao fundo para cruzar. Mas o quando o outro time ataca, eu volto para fechar a defesa. Faço a minha parte.'''' Kowsky está se recuperando de uma contusão no tornozelo que o manteve afastado do futebol por seis meses e que acabou tirando-o da seleção nacional.''''Tenho um passado na seleção. E estou bem no meu time, que foi campeão nacional. Todos já me conhecem. Se eu jogar bem no Estádio Nacional, vou voltar para a seleção.''''O lateral acredita que se reconquistar sua posição na esquadra nacional, poderá também regressar ao exterior.''''O futebol do Haiti exige muito sacrifício, porque não é profissional, é semiprofissional. Agora, se eu jogar bem na seleção, vou ter mais chances de jogar fora. O Haiti não é bom para quem quer vencer no futebol.'''' BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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