Robson Fernandjes/AE
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Aumento da obesidade no País faz crescer em 10% as mortes por diabete

O crescimento da doença, registrado entre 1996 e 2007, está na contramão da tendência geral detectada pelo levantamento do Ministério da Saúde. No período, o número de mortes por doenças crônicas caiu 17%, o que equivale a uma redução anual de 1,4%

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2010 | 00h00

O aumento da obesidade no País já provoca reflexos nas estatísticas de mortalidade. Levantamento do Ministério da Saúde aponta um crescimento de 10% das mortes provocadas por diabete entre 1996 e 2007. A doença, intimamente associada ao aumento de peso, figura como a terceira causa de mortalidade dos brasileiros, atrás de doenças cerebrovasculares (como derrame) e do coração. Em 2005, era a quarta do ranking.

"Estamos sentados em cima de uma bomba-relógio", afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Nos próximos dias, ele deverá apresentar à presidente eleita Dilma Rousseff o Plano de Enfrentamento da Obesidade, com propostas de ações para serem desenvolvidas por diversas áreas do governo. O plano prevê o envio ao Congresso de projetos de lei para melhor regular o tema. Uma das propostas em estudo é a de tornar nacional a iniciativa de alguns Estados de proibir alimentos muito calóricos e gordurosos nas cantinas das escolas.

"São sugestões para o próximo governo. Esse é um tema urgente, daí a iniciativa", afirmou a coordenadora-geral de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do ministério, Deborah Malta. O diretor do Departamento de Análise e Situação de Saúde, Otaliba Libânio Neto, calcula que, mantido o ritmo atual, o Brasil atingirá o mesmo padrão de obesidade da população dos EUA em 2022.

Além de favorecer a diabete, a obesidade também é considerada como fator de risco para alguns tipos de câncer - outra doença cujo índice de mortalidade aumentou 4% no País entre 1995 e 2007. Libânio atribui aumento dos casos da doença ao envelhecimento da população e ao sedentarismo. "No caso das mulheres, há registro de aumento de câncer de mama, associado principalmente à não amamentação e ao uso de contraceptivos." Para ele, os números mostram a necessidade de reforçar a prevenção, com mamografias e exames de próstata.

Segundo a endocrinologista Denise Franco, diretora da Associação de Diabetes Juvenil, 50% dos portadores não sabem que têm a doença. "Em geral, quando o diagnóstico é feito, as pessoas já sofriam alterações na glicemia há cerca de seis anos."

Esse foi o caso da dona de casa Vera Lucia Marangoni, de 51 anos, que descobriu que tinha diabete quando acompanhou a irmã a uma palestra sobre o tema. "Lá eu fiz o teste de glicemia e estava muito alta. Procurei um médico e descobri que os sintomas que eu sentia, como cansaço, sede e perda de peso, eram causados pela diabete."

Direção contrária. Tanto a diabete como o câncer estão na contramão da tendência geral detectada pelo estudo, que é de queda das mortes provocadas por doenças crônicas. Entre 1996 e 2007, esse grupo de doenças (problemas respiratórios e cardiovasculares, diabete e câncer) registrou uma queda nos índices de mortalidade de 17%, o que equivale a uma redução média de 1,4% por ano. "É um desempenho bastante significativo, provocado principalmente pelo maior acesso a serviços de saúde, às informações e políticas de prevenção", avaliou Libânio.

A principal causa de morte do País continua sendo as doenças cardiovasculares, que respondem por 29,4% dos óbitos. / COLABOROU KARINA TOLEDO

RANKING

As principais causas de morte no País:

2008

1. Doenças cerebrovasculares

2. Doenças isquêmicas do

coração

3. Diabete

4. Agressões (violência)

5. Pneumonia

6. Doenças hipertensivas

7. Acidentes de transporte

8. Doença crônica respiratória

9. Insuficiência cardíaca

10. Câncer de pulmão

2005

1. Doenças cerebrovasculares

2. Doenças do coração

3. Agressões (violência)

4. Diabete

5. Influenza e pneumonia

6. Doença crônica respiratória

7. Acidentes de transporte

8. Doenças hipertensivas

9. Insuficiência cardíaca

10. Problemas no perinatal

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