Ausência atrapalhou a vida de estudante

Se não tivesse de fazer uma viagem a trabalho, o então representante comercial Leonardo Silva, de 28 anos, não perderia as provas do Enem do ano passado.

O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2012 | 02h07

O paulista precisou ir até o Paraguai para realizar palestras sobre os produtos eletrônicos com os quais trabalha. "Ou eu ia trabalhar ou então eu não conseguiria manter o emprego", diz.

Com a decisão, o sonho de cursar Administração, com a utilização da nota do Enem, foi adiado por pelo menos um ano. "Eu não posso falar que houve arrependimento, porque a escolha vem de acordo com o momento e naquela ocasião achei que não tinha como escolher."

Silva, hoje trabalhando em outra função - como um dos coordenadores do Instituto Henfil, que oferece cursinhos pré-vestibulares -, encaixa-se no perfil de estudantes que chegam a se inscrever no Enem, mas faltam nos dias das provas.

Ele concluiu todo o ensino fundamental em escolas públicas em Mauá (SP) e cursou o ensino médio completo também na rede pública, mas em Pernambuco, onde tem familiares. Além disso, seus rendimentos mensais não ultrapassam 3 salários mínimos e o trabalho faz parte de sua rotina desde que passou a morar sozinho em São Paulo, a partir de 2004.

O problema é que, além de atrasar seus planos de carreira, a ausência nas provas do Enem teve outro tipo de interferência. "Recentemente, vi que essa minha falta nos dias das provas do Enem atrapalhou ainda mais minha vida", diz. Atualmente, ele concorre a uma bolsa de estudos numa faculdade em Mauá - desta vez, incluindo a possibilidade de cursar outro curso, o de Psicologia, que acabou sendo incluído entre suas pretensões.

"Mas o problema é que, independentemente do curso que escolher, se eu ganhar a bolsa, em troca terei de prestar serviços à comunidade durante 8 horas por semana. Se tivesse feito o exame no ano passado, ficaria desobrigado disso", diz. / D.L.

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