Ausência de Cachoeira prejudicaria Demóstenes, diz relator

O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), suspeito de envolvimento com o acusado de comandar uma rede de jogos ilegais Carlinhos Cachoeira, seria prejudicado se o suposto contraventor deixar de depor em sua defesa, afirmou o relator do caso no Conselho de Ética do Senado, Humberto Costa (PT-PE).

REUTERS

15 Maio 2012 | 14h54

Cachoeira foi requisitado como testemunha pela defesa de Demóstenes, que pode, ao final do processo, perder seu mandato e seus direitos políticos. O conselho avalia, a partir de denúncias e interceptações telefônicas que apontam ligação entre Demóstenes e Cachoeira, se o senador descumpriu preceitos éticos.

"Eu acredito que pelo fato de o senhor Carlos Cachoeira ser testemunha de defesa, demandada pelo senador Demóstenes, a não vinda dele como testemunha ao conselho ou o seu silêncio diante do conselho prejudicaria fortemente a defesa do senador Demóstenes", disse o relator a jornalistas após reunião do conselho nesta terça-feira.

"Acredito que se realmente ele tem o que dizer em defesa do senador Demóstenes, ele deveria comparecer e não só comparecer, mas falar", afirmou Costa.

Cachoeira tinha depoimento previsto para esta terça na CPI mista que investiga suas ligações políticas e empresariais, mas uma liminar do Supremo Tribunal federal (STF) suspendeu a audiência, atendendo um pedido da defesa.

De acordo com as denúncias, Demóstenes teria atuado em favor de Cachoeira, revelando detalhes de reuniões reservadas das quais participou com autoridades do Executivo, do Judiciário e do Legislativo.

DELEGADOS

Durante a reunião do Conselho de Ética nesta terça, os senadores ouviram, em sessão fechada, os delegados envolvidos nas investigações que têm como provas interceptações telefônicas de Cachoeira e seu grupo, entre outras.

De acordo com Costa, o depoimento dos delegados da Polícia Federal trouxe "detalhes" sobre informações que já eram conhecidas.

Segundo o relator, a defesa de Demóstenes demonstrou grande conhecimento dos autos e insistiu na tese de que o senador foi investigado ilegalmente. Para os advogados, o senador não poderia ter sido investigado sem autorização do STF por ter foro privilegiado.

"Não me parece claro que tenha havido qualquer iniciativa da Polícia Federal de promover uma investigação", disse o relator.

Para o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que participou da sessão, o relato dos delegados, que citaram mais de 400 interceptações telefônicas envolvendo Demóstenes, deixa "patente" a influência da organização de Cachoeira nas funções legislativas do senador.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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