Austríacos fazem vigília por mulher que ficou presa em porão

Elisabeth teve reencontro emocionante com a mãe e os filhos criados longe dela; DNA comprovou incesto

Da BBC Brasil, BBC

30 de abril de 2008 | 06h00

Centenas de pessoas fizeram uma vigília na noite de terça-feira, 29, em Amstetten, na Áustria, cidade em que Josef Fritzl manteve a filha Elisabeth presa em um porão durante 24 anos. Os moradores da pacata cidade, que fica a 120 quilômetros da capital Viena, demonstraram solidariedade à mulher e aos seis filhos que ela teve com o pai.  Veja também:Josef Fritzl teria sido preso por estupro nos anos 70Filhos de austríaca presa em porão se encontram em hospitalDNA confirma que austríaco engravidou filha presa em porãoUm drama no campo do inenarrável  Autoridades austríacas disseram ter sido "emocionante" o reencontro entre Elisabeth, hoje com 42 anos e dois dos três filhos que viviam com ela no porão, com os outros três que moravam no andar de cima da casa, com o pai e a avó. O encontro ocorreu em uma clínica psiquiátrica onde a família está recebendo tratamento.  "Nós queremos mostrar que Amstetten não é uma cidade de criminosos", disse o prefeito da cidade. O evento foi organizado por uma escola religiosa local e atraiu pais, crianças, professores e religiosos. Testes de DNA confirmaram na terça-feira que Josef Fritzl é mesmo o pai das crianças que teve com a filha durante o tempo em que a manteve no porão. A mulher de Fritzl, Rosemarie, que durante os 24 anos acreditou que a filha havia fugido de casa para se unir a uma seita religiosa, também ficou muito emocionada ao rever Elisabeth. "Foi impressionante a facilidade como mãe e filha se reaproximaram", disse Berthold Kepplinger, diretor da clínica psiquiátrica. Kepplinger ainda disse que os membros da família interagiram com naturalidade, mas que duas das três crianças, com 18 e 5 anos - que passaram toda a vida sem ver a luz do sol - se comunicavam de maneira "completamente anormal". Kirsten, a filha mais velha da mulher, com 19 anos, ainda está internada no hospital em estado de coma, após passar a vida em confinamento. O diretor da clínica disse também que Elisabeth "falou bastante" sobre os momentos terríveis que passou no porão, mas não revelou detalhes. O advogado de Josef Fritzl, Rudolf Mayer, disse à BBC que apesar de o austríaco não ter demonstrado arrependimento pelos crimes que cometeu, parecia muito triste e "emocionalmente abalado". Três das sete crianças que o pai teve com a filha eram mantidas no porão com a mãe enquanto as outras três foram adotadas por Fritzl e sua mulher. Para conseguir a adoção, ele teria forçado Elisabeth a escrever cartas dizendo que não poderia educá-las.  Segundo as autoridades, assistentes sociais faziam visitas regulares à família e nunca levantaram suspeitas. Em relatórios, eles diziam que a mulher de Fritzl era muito "atenciosa" e que as crianças que viviam com a família tocavam instrumentos musicais, freqüentavam a escola e clubes de recriação. Se condenado, Josef Fritzl poderá pegar até 15 anos de prisão por estupro e seqüestro. A corte ainda está considerando uma pena relativa "a assassinato por omissão" em conexão com a morte de um dos sete filhos que ele teve com Elisabeth.  BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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