Autoridade do Irã pede que Obama suspenda sanções dos EUA

Uma importante autoridade do Irã conclamou o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, a dar mostras de boa vontade e remover as sanções impostas à República Islâmica, afirmou uma agência iraniana de notícias. Obama já disse que poderia intensificar as sanções, mas também aventou a hipótese de manter negociações diretas com o Irã a fim de resolver os problemas existentes entre os dois países, em especial as ambições nucleares do governo iraniano. "Por meio da suspensão das cruéis sanções do governo anterior contra o Irã, Barack Obama pode dar mostras de boa vontade em relação ao povo iraniano", afirmou o procurador-geral aiatolá Qorban-Ali Dori-Najafabadi. "Uma manifestação de arrependimento e remorso da parte do novo governo em relação às medidas do governo norte-americano anterior pode fazer com que a grande nação iraniana perdoe", disso a autoridade na cidade de Tabriz (noroeste), segundo a agência de notícias Mehr. Os EUA cortaram seus laços diplomáticos com o Irã depois da Revolução Islâmica neste país, em 1979, e atualmente lideram os esforços para isolar o governo iraniano em virtude de suas atividades nucleares. Potências ocidentais acreditam que o programa de enriquecimento de urânio realizado pelo Irã visa ao desenvolvimento de armas nucleares, uma alegação que o governo iraniano nega. Autoridades iranianas rejeitaram a exigência feita por potências mundiais de que o país suspenda o enriquecimento de urânio, um processo que pode ser usado tanto para fins militares quanto civis. Em troca, o Irã receberia benefícios, entre os quais benefícios comerciais. A postura do Irã fez que com que o país sofresse três rodadas de sanções impostas pela Organização das Nações Unidas (ONU) a partir de 2006, além de medidas punitivas bilaterais adotadas pelo governo norte-americano. Obama, como o atual presidente dos EUA, George W. Bush, não descartou a possibilidade de ser adotada uma ação militar contra os iranianos, mas criticou o atual governo norte-americano por não se esforçar no campo diplomático e por não se aproximar do Irã. Autoridades iranianas afirmaram que a vitória dele nas eleições de terça-feira mostrava o desejo dos norte-americanos por uma mudança profunda nas políticas doméstica e externa. Bush classificou o Irã como um dos membros do "eixo do mal." Segundo a agência de notícias oficial Irna, o chefe da comissão de segurança nacional e política externa do Parlamento iraniano afirmou que quaisquer mudanças da postura do Irã em relação aos EUA dependiam de uma mudança da postura norte-americana. "Enquanto a política norte-americana em relação ao Irã continuar da forma como está, as negociações com o país não significarão nada", afirmou Alaeddin Boroujerdi, na cidade de Mashad. (Reportagem de Hashem Kalantari)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.