Autoridades criticam estudo com sangue falso em pacientes

Imagine-se em um acidente de carro, inconsciente e sangrando na ambulância. Sem sangue a bordo, os paramédicos aplicam um substituo experimental, mas até no hospital você recebe sangue falso por muitas horas, antes que os médicos tentem o material verdadeiro. Especialistas em ética médica dizem que um estudo está fazendo isso em centenas de pacientes, sem o consentimento dos envolvidos, deve ser detido. É um ataque renovado à pesquisa que começou em 2004, depois que os Laboratórios Northfield conseguiu aprovação federal para o estudo com o substituto sanguíneo Polyheme. O debate foi reiniciado por uma história divulgada pelo Wall Street Journal na semana passada, que sugere que a empresa tentou esconder alguns detalhes essenciais de um outro estudo de substituto sanguíneo em 2000. A publicação divulgou que dez pacientes de cirurgia cardíaca que participaram do experimento com o Polyheme sofreram ataques do coração, o que não aconteceu àqueles que receberam sangue verdadeiro. O presidente da Northfield, o médico Steven Gould, disse que o Polyheme não causou os ataques,e nem causou um número desproporcional de mortes, em comparação ao tratamento usual. Ele afirmou que o estudo de 2000, que foi suspenso e não foi totalmente publicado, acabou interrompido não por razões de segurança, mas porque o registro estava vencendo e a empresa queria manter o foco na pesquisa de pacientes de trauma. O estudo que está sendo feito agora nunca deveria ter começado, disse Nancy M.P. King, especialista em ética da Universidade da Carolina do Norte. Ela e seus colegas escreveram que sangue verdadeiro não deve ser negado às pessoas que precisam dele, sem que dêem consentimento. Encontrar um substituto sanguíneo revolucionaria a medicina emergencial e poderia potencialmente salvar milhões de vidas. A idéia é criar um produto que funcione como o sangue humano mas possa ser transportado em ambulâncias e ser rapidamente dado às pessoas de qualquer tipo sanguíneo. Mais de 600 pacientes de 31 centros médicos em 18 Estados estão envolvidos no estudo da Northfield, e os resultados são esperados até o final deste ano. Os especialistas em ética dizem que o problema com o estudo é quando os pacientes chegam ao hospital. O teste do Polyheme deveria ser feito separadamente em pacientes que o consentirem, ou que tenham consentimento da família. Na opinião desses especialistas, se a fase hospitalar não for eliminada, todo o estudo deve ser suspenso.

Agencia Estado,

01 de março de 2006 | 19h41

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.