Avanço depende de parceria internacional

Necessidade de aumentar laços com pesquisadores estrangeiros é consenso na academia brasileira; língua constitui obstáculo à integração

Alexandre Gonçalves, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2011 | 00h00

Um dos poucos consensos sobre a ciência no País é que ela deve se internacionalizar. Pouco importa a orientação ideológica ou a área de atuação de quem opina: a maioria concorda que ainda estabelecemos um número pequeno de parcerias lá fora.

Rogério Meneghini, especialista em cientometria e coordenador da biblioteca virtual de publicações científicas Scielo, analisou o impacto da cooperação internacional na pesquisa de vários países. Cerca de 60% dos artigos publicados por autores ingleses em 2007 e 2008 contam com colaboradores de outras nações. Na Suíça, o mesmo porcentual chega a 70%. Para os dois países, a média de citações por artigo em 2009 ultrapassa quatro citações. (O número de vezes que um artigo é citado em outras publicações científicas costuma ser um indicador da relevância da pesquisa.)

O Brasil apresenta um perfil diferente: cerca de 75% dos artigos científicos publicados por brasileiros no mesmo período não possuem coautores estrangeiros. A Índia apresenta 81% de produção exclusivamente autóctone. A média de citações nos dois países não chega a duas referência para cada artigo.

Os dados obtidos por Meneghini sugerem uma clara correspondência entre impacto da pesquisa e cooperação internacional. Para Carlos Henrique de Brito Cruz, da Fapesp, seria muito oportuno aumentar a exposição da ciência brasileira às exigências de qualidade e rigor observadas nos países desenvolvidos.

Victor Nussenzweig, cientista brasileiro que pesquisa vacinas para malária na New York University, afirma que os pesquisadores brasileiros - especialmente na área biomédica - ainda estabelecem metas tímidas, muito aquém das fronteiras do conhecimento nos países ricos. Ele acredita que a forma mais barata e eficaz de estabelecer pontes com laboratórios estrangeiros ainda é enviar jovens brasileiros para estudar e pesquisar fora.

Jacob Palis Junior, presidente da Academia Brasileira de Ciências, sugere o estímulo à vinda de estrangeiros para realizar o pós-doutorado no País.

Mas reconhece que a barreira linguística constitui um obstáculo considerável. "Devemos oferecer mecanismo para ajudar nossos alunos - e até professores - a conseguir um bom domínio do inglês", sugere Palis.

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