Avanços no Ideb dependem de trabalho coletivo

Melhora reflete motivação de docentes, participação da família e construção de novas práticas pedagógicas

Ocimara Balmant, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

20 Junho 2011 | 00h00

O crescimento do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) está relacionado à mobilização de todos os envolvidos na vida escolar, dos dirigentes municipais aos pais. Essa é a conclusão do estudo Caminhos do Direito de Aprender, divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

 

A pesquisa analisou os caminhos percorridos por 26 municípios, um de cada Estado, que registraram grandes avanços nos resultados do Ideb. Em todos eles, o problema do desconhecimento sobre a natureza e a função do Ideb e da Prova Brasil foi atacado com medidas simples, como reuniões e campanhas de informação para os profissionais da rede.

 

"O Ideb funciona como um termômetro: deu 38ºC, você sabe que está com febre, mas não sabe que doença é. Quando todos conversam juntos na escola, descobre-se a doença e começa o tratamento", diz Maria de Salete Silva, coordenadora do Programa de Educação da Unicef.

 

Veja também:

 

linkAvaliações em série confundem professores

 

Dentre as estratégias para melhora, investir na formação dos professores foi fundamental: a medida apontada por 24 dos 26 municípios. Em Boa Vista do Tupim (BA), cidade que registrou o maior avanço na nota do Ideb entre as 26 analisadas (2,6 pontos), foi criado um projeto de formação continuada em cadeia, por meio de multiplicadores.

 

Trabalhar as práticas pedagógicas também foi uma das medidas para melhorar o Ideb. A ampliação do tempo de aprendizagem e a criação do reforço escolar aparecerem como algumas das estratégias utilizadas.

 

Em Feijó (AC), por exemplo, foi criada uma turma no contraturno para atender alunos que chegam do seringal com dificuldades de aprendizagem, apesar de ter sido aprovados. Em Sapezal (MT), os atendidos pelas aulas de reforço são os alunos indígenas, que estudam aos sábados, em horário integral.

 

A contextualização dos conteúdos é outro referencial importante nos municípios que apontaram as práticas pedagógicas como fator de avanço. Em Santana (AP), os projetos dos alunos são realizados de forma interdisciplinar, geralmente agregados por série ou ciclo.

 

Discussões. Por fim, a motivação e compromisso dos professores e a relação da família com a escola também foram apontados como atitudes que ajudaram os municípios a subirem seu Ideb. Em Vila Pavão (ES), durante o planejamento anual, as escolas realizam encontros bimestrais com as famílias. Os pais participam de discussões sobre a aplicação de recursos financeiros e as atividades do conselho escolar.

 

Mas nem tudo está resolvido nesses locais. Dentre o que ainda precisa ser melhorado, cerca de metade dos municípios relatou a necessidade de ampliar o tempo da criança na escola, seja por meio da implantação de unidades de tempo integral, seja pela ampliação das atividades de contraturno. A diversidade cultural e inclusão de crianças com deficiência também apareceram com destaque.

 

A participação das famílias na vida escolar das crianças foi apontada por 14 dos 26 municípios visitados e um quarto das redes pesquisadas citou como desafio a Educação Infantil. O tema foi mencionado por vários municípios como condição para a melhoria dos resultados nas etapas de estudo subsequentes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.