Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Avenida 23 de Maio terá corredor de grafite de 5,4 quilômetros

Painel superará murais da Copa do Mundo, na zona leste, para se tornar o maior do gênero artístico da América Latina em 2015

Gheisa Lessa , O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2014 | 08h01

A partir da primeira semana de dezembro mais de 200 artistas devem preencher com arte 5,4 quilômetros de extensão de muros que constituem o corredor da Avenida 23 de maio - que interliga a capital paulista desde a região da Vila Mariana, na zona sul até a regiãoda Sé, no centro. De acordo com a Prefeitura de São Paulo, com a conclusão do projeto aprovado em conjunto com a Secretaria Municipal da Cultura, a via será o maior corredor de grafite da América Latina, superando o primeiro lugar ocupado hoje pelos murais da Copa do Mundo 2014, localizados na zona leste da capital.

Com previsão de término para início de fevereiro de 2015, "as artes têm a função de dialogar, colorindo o cinzento da cidade, substituindo muros frios e que dividem por muros artísticas que melhoram o padrão e humanizam a cidade”, afirma o secretário municipal da cultura Juca Ferreira.

Apesar da repercussão, a ocupação dos muros da cidade com intervenções de grafite não é novidade em São Paulo. Na Vila Madalena, na zona oeste, o 'beco do Batman' é conhecido ponto de encontro para admiradores da arte urbana. Conhecido como galeria de arte a céu aberto, o beco é ficou famoso quando estudantes de arte encontraram uma primeira imagem do personagem dos quadrinhos que dá nome à travessa em um dos muros em 1980. 

 

Passeando pela capital, é possível encontrar desenhos dos grafiteiros brasileiros, conhecidos internacionalmente, Os Gêmeos em prédios do centro da cidade, Eduardo Kobra já espalhou sua arte por pontos movimentados desde a Vila Mariana até a Vila Madalena. A dupla Titi Freak e Whip também decora com sua arte mais autoral alguns muros do bairro da Liberdade. As pilastras que sustentam o Elevado Costa e Silva já serviram de tela para a arte urbana e recentemente recebeu a série “Giganto” de fotografias gigantescas de habitantes da região.

"A arte urbana tem custo benefício de retorno bem positivo. É barato e dá um resultado bom para a cidade”, afirma um dos precursores do grafite na cidade, Rui Amaral - que foi um dos nomes selecionados para participar da obra na 23 de Maio. Além de Amaral, a prefeitura já divulgou o nome de mais 13 artistas que ajudarão a convocar mais colaboradores: Binho Ribeiro, Eziel, Ozi, Mauro Neri, Mundano, Barbara Goy, Enivo, Leon, Rui Amaral, Denys Evol, Toddy, Manulo, Tikka e Nick. 

Além de materiais para a produção do grafite, a prefeitura colocará a disposição dos artistas a Guarda Civil Metropolitana (GCM), disponibilizará limpeza dos muros, ampliação da iluminação e corte de grama e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) dará apoio na organização do trânsito durante o trabalho estimado para ser concluído ao longo de três meses.

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