Avô de Isabella diz que polícia ignora provas importantes

Polícia planeja fazer a reconstituição do crime e espera contar com a participação do casal

Silvia Song, Jornal da Tarde

20 de abril de 2008 | 15h50

O avô da menina Isabella Nardoni, o advogado tributarista Antônio Nardoni, criticou neste domingo, 20, o trabalho da Polícia Civil de São Paulo. Ao sair da sua casa, Antônio Nardoni disse que a polícia desconsidera provas que são importantes e pesariam a favor da inocência do filho Alexandre Nardoni e da nora Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, indiciados pela morte de Isabella, que caiu do sexto andar do prédio onde o casal mora, na Vila Mazzei, na zona norte da capital paulista. Segundo o avô dela, a polícia também não deu importância a alguns depoimentos relevantes. Antônio Nardoni foi ao apartamento dos pais de Anna Carolina, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Antes, ele esteve no escritório onde trabalha. VEJA TAMBÉMAdiados depoimentos de irmã e pai de Alexandre NardoniImagens do dia de depoimentos Fotos do apartamento onde ocorreu o crime  Cronologia e perguntas sem resposta do caso  Tudo o que foi publicado sobre o caso Isabella    A polícia decidiu que não haverá acareação entre Alexandre Nardoni e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá. Motivo: as respostas dadas às 50 perguntas do interrogatório foram vagas. Eles foram indiciados por homicídio doloso triplamente qualificado (motivo torpe, cruel e sem possibilidade de defesa). Com informações preliminares dos laudos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico-Legal (IML) - o laudo final só ficou pronto na tarde de sábado -, a polícia já tinha traçado estratégia para que a madrasta de Isabella,  confessasse participação no crime. Nos dias que antecederam o depoimento do casal, os policiais decidiram que iriam dizer a Anna Carolina que ela poderia responder criminalmente apenas por lesão corporal dolosa, e não por homicídio. Isso porque Isabella morreu em decorrência da queda. Para os delegados responsáveis pela investigação, tudo indica que a madrasta agrediu e asfixiou a criança, e Alexandre Nardoni, o pai, jogou a menina pela janela.A estratégia não deu certo. Durante as oito horas que durou o interrogatório de Alexandre, Anna Carolina ficou numa sala da delegacia, acompanhada por um advogado, por seu sogro, Antônio Nardoni, e por um investigador. Chorou o tempo todo. Só se controlou perto das 20 horas. Então, sem se alterar nas cinco horas de interrogatório, Anna permaneceu negando participação na morte de Isabella. Questionada sobre marcas de sangue de Isabella no carro da família, foi taxativa: "Desconheço". Segundo os policias ela estava "muita fria" durante o interrogatório. Sustentou a versão apresentada desde as primeiras horas após o crime, quando foi ouvida no 9º Distrito Policial pela primeira vez.Já o pai chorou uma única vez durante o interrogatório. Foi quando ele começou a ver o álbum de fotografias montado pela delegada-assistente do 9º DP (Carandiru), Renata Helena Pontes. Nele havia fotos de Isabella desde que ela tinha dois meses de idade e termina com a foto do corpo, tirada no Instituto Médico Legal (IML). Terminado o interrogatório, Alexandre foi para a sala do chefe dos investigadores onde Anna Carolina passou a tarde toda. Lá conversou descontraidamente com os policiais e ainda perguntou: "Como é ser policial?". Agora, a polícia planeja fazer a reconstituição do crime e espera contar com a participação do casal, que não é obrigado a isso. Os policiais ainda não decidiram quando, mas consideram provável um pedido de prisão preventiva de Alexandre e Anna Carolina depois que o inquérito policial for relatado à Justiça. Caberá, então, ao Ministério Público Estadual analisar as provas e decidir se vai ou não denunciar o casal pelo assassinato. O juiz também deverá ouvir o promotor antes de decidir se decretará ou não a prisão dos acusados.

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