Avó de Sean Goldman pedirá à Justiça direito de visitas

Determinação de justiça norte-americana proíbe visitas da família brasileira a Sean

ROBERTA PENNAFORT, Agência Estado

30 Abril 2012 | 18h34

RIO - A família brasileira de Sean Goldman vai tentar, mais uma vez, reverter na justiça norte-americana a proibição de visitas ao menino por sua avó, Silvana Bianchi, e por outros parentes. O advogado Carlos Nicodemos, que a representa, disse, nesta segunda-feira, que em até 30 dias entrará com ação na esfera federal do país para que seja cumprida a Convenção de Haia, que determina, por meio do conceito de família extensiva, que a avó tem o direito de ver o neto. A família cogita também recorrer à OEA e à ONU.

 

Quando Sean foi entregue ao pai, David Goldman, pela avó, no fim de 2009, para voltar a viver com ele nos Estados Unidos, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pelas visitas. Mas, uma vez nos EUA, a situação mudou. Segundo o advogado, o Itamaraty não está se esforçando para fazer valer a Convenção, da qual os dois países são signatários. "Isso contraria o princípio da reciprocidade, o Brasil está sendo subserviente. Por que esse silêncio do Itamaraty?"

Em entrevista veiculada pela rede norte-americana NBC na semana passada, que firmou uma espécie de contrato de exclusividade com Goldman em relação ao episódio, o pai diz que não há impedimento para visitas, desde que Silvana converse com o terapeuta norte-americano de Sean, e que desista da ação judicial ainda pendente, em New Jersey, onde eles moram, pedindo os encontros.

Goldman não menciona a requisição de US$ 200 mil para pagamento de honorários advocatícios com os quais teria arcado no Brasil. "Concordamos com tudo, menos em contribuir para a exploração comercial feita. Goldman teve apoio da Advocacia Geral da União, não teve advogados privados", disse Nicodemos.

Sean, de 11 anos, nasceu nos Estados Unidos e aos 4 anos veio com a mãe, a carioca Bruna Bianchi, passar férias no Rio de Janeiro. Dias depois, ela comunicou ao marido que queria o divórcio. Posteriormente se casou com o advogado João Paulo Lins e Silva e em 2008 morreu durante o parto de sua filha com ele. Com isso, a família brasileira passou a disputar a guarda de Sean com o pai do garoto. Além da avó, o maior interesse é o de que a meia-irmã, Chiara, possa vê-lo.

Silvana contratou o renomado psicanalista Luiz Alberto Py para analisar o comportamento de Sean na entrevista dada à NBC. Py, que nunca esteve com Sean e condena, como profissional experiente, a invasão da privacidade dele, entendeu, por suas respostas e linguagem corporal, que o menino demonstrou estar tenso, desconfortável, não agir espontaneamente e ter falas defensivas, típicas de quem passou por traumas.

"Ele faz do limão uma limonada o tempo todo. A impressão que dá é a de que está sempre evitando conflitos. Não parece que ele está interessado na entrevista. Não é uma demanda dele, mas o pai falou para ele dar, e ele provavelmente disse que tudo bem", avaliou o psicanalista, para quem Sean se tornou uma criança autoconfiante, por ter sido sempre amada, e que conseguiu desenvolver estratégias para se proteger das situações de sofrimento.

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