Babuínos conseguem distinguir palavras verdadeiras de falsas

Após 6 semanas de treino, índice de acerto chegou a 90%; resultado sugere que raiz evolutiva da leitura é mais profunda

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2012 | 03h05

Cientistas franceses treinaram seis babuínos de forma que eles pudessem distinguir palavras escritas de quatro letras em inglês, como "vast" e "done", de palavras falsas, como "dran" e "lons". Não se considera que os animais aprenderam a ler - mas eles chegaram perto, dizem os especialistas.

Após seis semanas de treinamento, os primatas aprenderam a distinguir dezenas de palavras. O animal mais esperto, Dan, reconheceu 308 palavras verdadeiras entre 7.832 palavras falsas. Sua colega Violette distinguiu 81 palavras verdadeiras. Cada um dos seis obteve índice de acertos de mais de 50% - a média foi de 75%, com a mais alta de 90%.

Os cientistas creem que os animais identificaram propriedades estatísticas que diferenciam palavras verdadeiras de falsas - por exemplo, "sl" e "dr" eram comuns, mas "dl" e sr", não.

O estudo, realizado na Universidade Aix-Marseille e publicado na revista Science, é "extraordinariamente excitante", disse o psicólogo cognitivo Stanislas Dehaene, do College de France em Paris. "Pela primeira vez, temos um modelo animal de um componente-chave da alfabetização, o reconhecimento da forma visual das palavras", reforça.

"Parece que os mecanismos biológicos básicos para a leitura têm raízes evolucionárias mais profundas do que se pensava", disse o neurocientista Michael Platt, da Universidade Duke, nos EUA, coautor de uma análise do estudo.

Há muito a leitura intriga os neurocientistas. Assim que os humanos aprenderam a ler - há cerca de 5 mil anos, no Oriente Médio -, a leitura se espalhou tão rapidamente que não pode ter requerido mudanças genéticas e nova configuração cerebral. Isso sugere que a leitura se aproveitou de estruturas neurais preexistentes. / REUTERS

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