Bachelet pede renúncia dos prefeitos do Chile

Presidente chilena diz estar planejando mudanças com 'mais força e vigor'.

Marcia Carmo, BBC

04 de janeiro de 2008 | 20h00

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, pediu nesta sexta-feira a renúncia de todos os prefeitos do País. O apelo de Bachelet foi feito um dia depois que o ministro do Interior, Belisario Velasco, deixou o cargo, abrindo caminho para uma possível reforma ministerial - a quarta em menos de dois anos de gestão. No Chile, os prefeitos não são eleitos pelo voto popular, mas indicados pelo governo central. Ao mesmo tempo, o cargo de ministro do Interior é equivalente ao de chefe da Casa Civil e de vice-presidente do País. Num discurso no Palácio presidencial, Bachelet justificou o pedido de renúncia dos prefeitos, dizendo que quer realizar mudanças com "mais força e vigor em todo Chile". "Vou cumprir o caminho que defini e que começa a ser concretizado hoje nas regiões onde está o povo e onde temos muitos recursos, mas precisamos que cheguem a todos", disse a presidente. Bachelet afirmou também que não será "pautada pela imprensa ou articulistas" que querem dizer a ela o que fazer ou deixar de fazer. "Segunda etapa"Bachelet elogiou o papel de Velasco, dizendo que ele foi um dos "símbolos" na luta pela recuperação da democracia. Mas insistiu que em 2008 começa "segunda etapa" de seu governo. "Farei todas as mudanças necessárias para conseguir uma melhor e mais rápida administração". Bachelet é socialista e Velasco integrante da Democracia Cristã (DC). O Partido Socialista e a DC são as duas principais forças políticas da chamada "Concertación", frente de centro-esquerda que está no poder desde o retorno da democracia ao Chile, no fim dos anos 80. A líder chilena tem enfrentado dificuldades na sua administração desde que o sistema de transporte da capital chilena, batizado de "Transantiago", entrou em vigor no início do ano passado. Esse foi um projeto do governo do ex-presidente Ricardo Lagos, aliado de Bachelet, que acabou gerando protestos, principalmente em Santiago, onde está a maior concentração de eleitores do País. Um dos motivos da saída de Velasco teria sido o fato de ele discordar do rumo das discussões sobre o financiamento e o destino do Transantiago. Nesta semana, pesquisas de opinião mostraram leve melhora na imagem popular de Bachelet. Para o oposicionista e ex-candidato a presidente Sebastián Piñera o fato reflete melhorias no "Transantiago".No entanto, segundo ele, a saída de Velasco requer a rápida convocação de "um novo capitão" deste barco.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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