Fabian Bimmer/Reuters
Fabian Bimmer/Reuters

Bactéria que afeta Europa pode ser pega por via oral

Organização Mundial da Saúde confirma que a 'E. coli' pode passar de pessoa para pessoa; cuidado com higiene é reforçado

Ap e Reuters, O Estado de S.Paulo

04 Junho 2011 | 00h00

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou ontem que a bactéria intestinal E. coli êntero-hemorrágica pode ser transmitida de pessoa para pessoa por meio de sedimentos ou via oral. O surto da bactéria na Europa já deixou 19 mortos.

"Este tipo de transmissão nos preocupa e, por isso, queremos que se reforcem as mensagens relativas à higiene pessoal", declarou a epidemiologista da OMS Andrea Ellis. Ela assinalou que por enquanto todos os casos "estão relacionados com o norte da Alemanha", de modo que se acredita que a exposição à bactéria esteja "limitada a essa área".

A OMS também desmentiu especialistas ao afirmar que essa cepa da bactéria foi detectada em humanos anteriormente. "A cepa que foi detectada na Alemanha é muito rara. Já é conhecida entre humanos, mas é a primeira vez que foi identificada em um surto", afirmou Fadela Chaib, porta-voz da agência de saúde das Nações Unidas.

Os comentários da porta-voz da OMS surgem depois que um grupo de pesquisadores em Hamburgo descobriu, com a ajuda de especialistas chineses, que a cepa da E.coli é nova, extremamente agressiva e resistente a antibióticos. A bactéria tem período de incubação de três a quatro dias. A maioria dos pacientes se recupera em dez dias, mas em uma pequena parte deles, principalmente crianças e idosos, a infecção pode levar à síndrome hemolítico-urêmica (SUH), que causa insuficiência renal aguda e é fatal em 3% a 5% dos casos. A SUH é a causa mais comum de insuficiência renal grave em crianças e pode causar complicações neurológicas em até 25% dos pacientes.

Em entrevista, Andrea mencionou que são aspectos incomuns desse surto o grande número de casos de SUH e o fato de os adultos serem os mais afetados. Além disso, ela comentou que as mulheres estão sendo mais impactadas, por supostamente consumirem mais vegetais crus em saladas, onde se acredita que está a origem dessa bactéria.

"O mais provável é que neste caso o modo de transmissão seja por meio dos alimentos, mas não sabemos quais deles. Isso também não significa que não possa ser outra coisa", enfatizou, após explicar que água e contato com animais ou pessoas infectadas também são outros modos conhecidos de transmissão.

Sobre o tratamento, indicou que a OMS desaconselha antidiarreicos e antibióticos.

Escalada. Desde 1.º de maio, quando o primeiro caso foi identificado, 1.733 pessoas foram infectadas na Alemanha - desses, 520 sofrem com a SUH. Segundo a OMS, outros dez países europeus e os Estados Unidos contabilizam 90 casos de infecção - desses, apenas 2 pacientes não visitaram recentemente o norte da Alemanha, onde o surto se iniciou.

 

 

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