Baixa umidade faz produtor usar irrigação

Nível insuficiente de água no solo prejudica cultivo de hortaliças na região de São José do Rio Pardo

Ana Maria H. de Ávila, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2010 | 03h08

Abril teve chuvas mais generalizadas, com elevados volumes no sul e leste paulista, na primeira quinzena. Na segunda quinzena, as chuvas foram escassas, de baixo volume e isoladas. Em Garça, Franca, Barretos e Presidente Prudente o total acumulado no mês não atingiu 50 milímetros.

Com a entrada de uma massa de ar frio, também na primeira quinzena, as temperaturas ficaram ligeiramente abaixo da média no Estado. Esta última semana seguiu o padrão da semana anterior, com os maiores volumes observados em Iguape (52,8 milímetros) e Itapeva (72 milímetros). Em Jaú, Presidente Prudente, São Carlos, Sorocaba e Franca foram registrados entre 15 e 30 milímetros. As temperaturas ficaram amenas à noite, com mínimas entre 15 e 16 graus e chegando a 19 graus nas áreas mais quentes no norte e noroeste do Estado. As máximas se mantiveram em torno de 30 graus, chegando a 32 graus em Votuporanga.

Cana. Esse padrão favoreceu a colheita das principais culturas do Estado: cana-de-açúcar, café e citros. A colheita da cana está adiantada em comparação com o mesmo período do ano passado, mas a qualidade é inferior por causa da cana bisada (cana que ficou no pé e não foi colhida no ano passado por causa das chuvas). Estima-se um volume de 50 milhões de toneladas de cana bisada. Essa cana afeta o ATR (Açúcar Total Recuperável) das primeiras colheitas, mas a partir de junho, com a redução da cana bisada, o nível de ATR deve melhorar.

A umidade do solo diminuiu em relação à semana anterior e ficou em torno de 65% do máximo esperado, chegando a 34% em São José do Rio Pardo, município com menor índice de umidade no solo. Nessa região a água do solo é insuficiente para o desenvolvimento das hortaliças e é necessário irrigar.

A umidade no solo é suficiente para manter o desenvolvimento vegetativo do sorgo em Guaíra, Piracicaba e Itapetininga. Em Itapeva e Iguape o solo está com capacidade máxima de armazenamento, com benefícios para o milho safrinha - os agricultores aproveitam o bom desenvolvimento da cultura para adubar a realizar os tratos culturais.

Em Avaré, Bauru e Itapetininga produtores de algodão aproveitam para realizar as atividades de capina e controle de pragas da lavoura, que começará a ser colhida em junho. O clima também favorece a colheita da melancia na região de Presidente Prudente e da tangerina em Agudos, Rancharia e Marília.

ANA MARIA H. DE ÁVILA É PESQUISADORA DO CEPAGRI/UNICAMP. PARA MAIS INFORMAÇÕES SOBRE TEMPO E CLIMA, ACESSE WWW.AGRITEMPO.GOV.BR

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