Baixo comparecimento eleitoral pode prejudicar Berlusconi

Descontentes com o atual clima de disputa política, muitos italianos deixaram de votar na eleição regional de domingo e segunda-feira, o que pode prejudicar os candidatos ligados ao primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

STE, REUTERS

29 de março de 2010 | 10h24

"Estamos todos um pouco enojados. Não tenho muita opinião, mas está claro que eles falaram pouco de conteúdo e muito de disputa política, o que não agradou ninguém", disse o eleitor romano Armando Rizzo.

A votação --em que mais de 41 milhões de eleitores estavam aptos a escolherem 13 dos 20 governadores regionais, quatro chefes provinciais e os vereadores de quase 500 cidades-- era considerada um termômetro do apoio popular a Berlusconi, há dois anos no cargo.

O magnata da mídia mergulhou de cabeça na campanha, conclamando seus seguidores a não repetirem na Itália o baixo comparecimento eleitoral das eleições regionais francesas deste mês, cujo resultado foi ruim para o presidente Nicolas Sarkozy.

No domingo, o comparecimento às urnas foi 9 por cento inferior ao do primeiro dia da eleição regional de cinco anos atrás, quando 71,5 por cento dos eleitores registrados compareceram às sessões. O fim da votação está previsto para as 15h de segunda-feira (10h em Brasília).

Os institutos de pesquisa dizem que o eleitorado sente que, durante a campanha, os políticos não apresentaram propostas convincentes para a sua maior preocupação, a questão do emprego. A campanha acabou sendo dominada por disputas partidárias e por um escândalo de corrupção envolvendo um funcionário do governo Berlusconi.

Após um 2009 turbulento para o primeiro-ministro --marcado por um divórcio, um escândalo com prostitutas, ameaças judiciais e até uma agressão em praça pública--, ele agora está sendo investigado por supostamente tentar tirar do ar programas de entrevistas críticos ao governo.

Na avaliação dos institutos de pesquisa, um baixo comparecimento eleitoral será ruim para o partido Povo da Liberdade, de Berlusconi.

O eleitor romano Marco Stella deu à Reuters a seguinte explicação para o baixo comparecimento: "Está claro que as pessoas estão fartas de todos esses jogos políticos."

As pesquisas apontam que a centro-direita deve manter o controle das regiões da Lombardia e do Vêneto, no próspero norte italiano, além de conquistar a Calábria e possivelmente a Campania, no sul.

A centro-esquerda deve manter pelo menos cinco regiões, sendo quatro delas em seu tradicional reduto industrial no centro do país - Emilia Romagna, Toscana, Úmbria e Marche - além da Basilicata, no sul.

Quatro outras regiões, inclusive Piemonte (norte) e Lacio (centro, onde fica Roma), estão indefinidas.

(Reportagem adicional de Gabriele Pileri e Ella Ide)

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