Baladeiras de carteirinha

Samba, sertanejo universitário, rock clássico, não importa. A variedade de opções de lazer em São Paulo é o cenário perfeito para as mulheres que gostam da noite

23 de janeiro de 2011 | 07h00

Vip. A turma de Carla Ventura (em pé, ao centro) mira em baladas com gente jovem e bonita

 

 

 

 

 

 

 

Quem vive ou visita São Paulo só fica em casa assistindo a um filminho e devorando um balde de pipoca se quiser. O leque de opções de lazer é tão grande que já virou chavão. São 15 mil bares, 160 teatros, 110 museus, 260 salas em 55 cinemas, 294 salas para shows e concertos, 12,5 mil restaurantes... Fora as danceterias. Há opções para todos os gostos. E isso muitos jovens, como a analista de complience Sandra Busnardo, de 28 anos, e suas amigas de balada descobriram há anos.

 

Quando querem dançar forró, vão ao Remelexo ou ao Canto da Ema, geralmente às quintas ou sextas-feiras, eleitos os melhores dias para curtir esse som. Frequentado por surfistas e, segundo suas palavras, naturebas, esses lugares são para quem realmente quer dançar. "Não tem pegação. Se rola, é esporádico", alerta Sandra. Outras dicas: quem frequenta forró não bebe muito, o que deixa a conta mais barata. Além disso, a balada acaba cedo. Mas elas aproveitam para emendar a noitada em outro local.

Outro gênero que sua turma curte é samba. "Mas é samba de raiz", esclarece. Frequentam o Traço de União, onde chegam cedo no sábado para garantir seu lugar e uma suculenta feijoada. "Lá tem gente jovem, bonita e solteira. Os caras puxam para dançar", descreve. E, mesmo chegando cedo, elas não saem de lá antes da meia-noite.

 

Como boa são-paulina, Sandra também bate cartão em outro samba concorrido, o Unyco, um bar dentro do Estádio do Morumbi, onde já cruzou com os ex-jogadores Raí e Marcelinho Carioca. Lá, o público é mais velho, curte show de bandas e as pessoas, de modo geral, não titubeiam para puxar conversa. O sertanejo universitário, que também toca por lá, é a senha para o encerramento da festa. E por falar em sertanejo, Sandrinha, como é carinhosamente conhecida, também gosta de ir ao Rancho da Villa, um boteco temático para fãs de música do gênero em plena Vila Madalena. "Vou aonde sei que está ‘pegando’, que é moda", diz, justificando seu gosto variado e sem discriminações. Ela lembra, por exemplo, do Praia Açaí, onde os frequentadores são embalados pelo reggae.

 

Seu perfil eclético muda de direção quando encontra a turma dos meninos. Com eles, o assunto é rock’n’roll, lugares para jogar sinuca, beber chope e comer espetinhos. "São encontros para falar besteira", resume Sandra. E quando o foco é apenas curtir rock, os amigos se dividem entre bares clássicos como Morrison, Little Darling e Willi Willie (que, além de bar, tem uma pista de arco e flecha com direito a instrutores que ajudam os novatos a manipularem os instrumentos).

 

Já o pós-balada é sempre numa temakeria ou num café que faz parte da rota de volta para casa. E com a chegada do verão e a temporada de férias, o grupo de Sandra já se organiza para as festas que acontecem no litoral. Do Sirena, em Maresias, ao Galeão, em Camburi.

 

As turmas se organizam para ter o motorista da vez, regra que levam muito a sério desde que uma delas foi pega numa blitz da Lei Seca.

 

O melhor em cada dia. Quando o assunto é balada vip, a turma da administradora Carla Ventura, de 26 anos, está sempre a postos. O grupo de belas mulheres vive em busca das baladas da moda e que sejam frequentadas por pessoas jovens e bonitas. Embora gostem de variar os lugares para conhecer o que há de diferente, não hesitam em repetir a dose quando vale a pena. "O segredo é descobrir o dia bom de cada lugar. De acordo com a noite, o público se transforma", explica.

 

A regra, explica Carla, é ir aonde os amigos estão. Este será o melhor lugar. Não é à toa que preferem os roteiros que ainda não entraram no circuito e, por isso, são mais restritos. Há também as noites em que trocam a badalação por uma festinha organizada na casa de alguém. E não é preciso muito para que o simples encontro se transforme numa baladinha.

 

Carla não titubeia em dizer que é a "zerada" da balada. Traduzindo: é a que não "fica" com ninguém só por ficar. Ainda mais com quem acabou de cruzar. "Para beijar uma pessoa que mal conheço, prefiro dançar e me divertir com minhas amigas", explica. "A não ser que seja um cara muuuito interessante", reconsidera.

 

Encontro cultural. Criada pelo escritor pernambucano Marcelino Freire há cinco anos, a Balada Literária (que, para muitos, é uma versão da Flip) põe artistas em mesa de debate, em mesa de bar, no palco ou onde quer que escritores e leitores espertos estejam. O fato é que a turma já reuniu nomes como Adélia Prado, Angeli, Chico César, Cristovão Tezza, David Toscana, Efraim Medina Reyes, Francisco Alvim, João Gilberto Noll, João Ubaldo Ribeiro, José Luandino Vieira, José Luís Peixoto, Luis Fernando Verissimo, Laerte, Márcio Souza, Mario Bellatin, Mário Prata, Paulo Lins e Tony Belotto.

 

Entre os frequentadores está a professora e escritora Luciana Penna, de 33 anos. Ela curte tudo o que consegue, já que o evento se espalha pela cidade, e sabe que à noite sempre acaba num bar. "O público fica muito à vontade e os escritores se sentem assim também", conta. É lá que ela tem a oportunidade de mergulhar e entrar em contato com uma de suas paixões: a literatura. Também encontra colegas e acaba fazendo novas amizades. Vê muitos poetas circulando e aproveita para conhecer novos grupos musicais que sempre dão uma "canja". "Me programo para a balada como se fosse um carnaval fora de época", compara. Luciana não se preocupa em combinar com os amigos porque sabe que os encontrará por lá, além de aumentar o círculo de amizades. "Tudo é muito despojado e damos muita risada", lembra com saudosismo, já que o evento é anual.

 

Aos que gostam de saraus, no Sopa de Letrinhas, realizado pelo grupo do Clube Caiubi, que acontece toda última sexta-feira do mês, frequentadores sobem ao palco para recitar poemas de contemporâneos ou suas próprias criações. Foi assim que Solange Mazzeto, atriz de 46 anos que se descobriu poetisa, se livrou de uma depressão pós-divórcio.

 

Além de reencontrar sua veia literária, que muito apreciava na juventude, ela voltou a sair de casa. Foi ao primeiro encontro praticamente arrastada por uma amiga. "Nem sabia direito o que era sarau, mas cheguei ao evento num dia de festa e, mesmo morrendo de vergonha e tremendo feito vara verde, subi ao palco para ler meu poema", lembra Solange. A partir daí, já inventou até o que batizou de poesia performática: o uso de seus dotes artísticos para recitar os poemas. "O mais gostoso é que ali é a Solange no palco, não tem personagem."

 

Depois de curtir tudo o que a cidade tem de bom, a pipoquinha para descansar da ferveção até que não é má ideia.

 

 

 

PROGRAMA-SE

Balada Literária

Canto da Ema: Avenida Brigadeiro

Faria Lima, 364, tel.: 3813-4708

Galeão: Estrada do Cambury, 79, Camburi, São Sebastião, tel.: (12) 3865-1515

Little Darling: Avenida Iraí, 229, tel.: 5542-9912

Morrison Rock Bar: Rua Inácio Pereira da Rocha, 362, tel.: 3814-1022

Praia Açaí: Avenida Faria Lima, 3.599, tel.: 3078-8725

Rancho da Villa: Rua Mourato Coelho, 838, tel.: 3034-1931

Remelexo: Rua Ferreira de Araújo, 1.076, tel.: 3034-0212

Sopa de Letrinhas

Sirena: Rua Sirena, 418, Maresias, São Sebastião, tel.: 3077-0020

Traço de União - Casa de Brasilidades: Rua Claudio Soares, 73, tel.: 3031-8065

Unyco: Praça Roberto Gomes Pedrosa, tel.: 3078-2211

Willi Willie Bar e Arqueria: Alameda dos Pamaris, 30, tel.: 5533-0020

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