Ban, da ONU, vai ao Sudão para pressionar por acordo de paz

O secretário-geral das NaçõesUnidas, Ban Ki-moon, visitou Juba nesta terça-feira, no sul doSudão, para tentar acelerar a implementação do acordo de paz de2005 que encerrou a guerra civil mais longa africana. Ban se reuniu com o líder sudanês Salva Kiir paranegociações que, segundo assessores, visavam a solucionarproblemas na concretização do acordo de paz que acabou com asduas décadas de conflito entre o governo do norte do país e osrebeldes do sul. O secretário-geral, que faz sua primeira visita ao Sudão,também deve ir à região de Darfur, no oeste do país, dizimadapela guerra. Ele disse ter conseguido uma promessa dopresidente do Sudão de permitir que um rebelde de Darfur deixeo país para receber atendimento médico. Uma autoridade da ONU que participa da viagem diz que há"sinais preocupantes" sobre a implementação do acordo de paz,como a demora na retirada de tropas do governo do sul,especialmente nas áreas produtoras de petróleo. "Os dois lados indicaram seu comprometimento com o acordo.Mas é importante não deixá-lo escapar", disse a fonte. Cerca de 2.000 reuniram-se em Juba para receber Ban, comcartazes de apoio aos rebeldes do sul e outros exigindo aretirada do exército sudanês da região. O prazo de 9 de julhopara o exército tirar todos os soldados do sul, estabelecidopelo acordo de paz, não foi cumprido. O ministro sudanês do Petróleo, Ahmed Awad al-Jaz, afirmouno sábado que as tropas do norte serão retiradas dos campos depetróleo "gradativamente". Também há preocupação com a demora na implementação docenso nacional, crucial para a realização das eleiçõesdemocráticas prometidas para 2009, e da votação sobre asecessão do sul, que deve acontecer até 2011. O secretário-geral do Movimento pela Libertação do PovoSudanês, Pagan Amum, declarou em julho que a sensação de demorano cumprimento do acordo de paz pode pressionar os habitantesdo sul a escolher a independência. Numa entrevista coletiva conjunta com Kiir, Ban reconheceuos problemas, mas restringiu as declarações a dizer que era"obrigação do povo do Sudão implementar" o acordo norte-sul. Mais tarde, num discurso na Universidade de Juba, elecaracterizou o acordo como fundamental, de "marco essencial efrágil, da paz em todo o Sudão, muito além de Darfur". Sobre Darfur, Ban disse ter conseguido autorização dopresidente do Sudão, Omar Hassan al-Bashir, para que o rebeldeSuleiman Jamous deixe o país para receber atendimento médico,depois de mais de um ano praticamente em prisão domiciliar.

PATRICK WORSNI, REUTERS

04 de setembro de 2007 | 16h13

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