Ban Ki-Moon constata desigualdade em favela no Rio

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, se encontrou hoje com jovens de 12 comunidades carentes no Morro da Babilônia, no Leme, zona sul do Rio de Janeiro. Ele ouviu histórias sobre discriminação racial e social na cidade, além de relatos sobre violência, falta de saneamento e educação para as classes pobres. "Apesar da situação econômica favorável do Brasil, agora fica claro que ainda existe muita desigualdade. Acabo de ver isto com meus próprios olhos", disse Ban aos jovens.

PEDRO DANTAS, Agência Estado

27 de maio de 2010 | 18h41

Na chegada ao morro, ocupado pela Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) desde junho de 2009, Ban assistiu a uma apresentação de música e dança de crianças de uma creche. Em seguida, o secretário-geral conversou com os 12 jovens, que participam do programa Plataforma dos Centros Urbanos do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

"Contei a ele sobre casos de pessoas soropositivas expulsas de favelas da cidade. Precisamos de mais informações sobre o HIV nas escolas e nas comunidades para evitar discriminação", afirmou a estudante Rafael Queiroz, de 18 anos, do bairro de Oswaldo Cruz, na zona norte da cidade. Moradora da Favela da Grota, no Complexo do Alemão, também na zona norte, uma das mais violentas do Rio, Rafaela Moraes, de 16 anos, reclamou do preconceito contra os moradores de favelas. "A comunidade aparece sempre em notícias associadas com violência. Ninguém sabe que onde eu moro existem projetos sociais e culturais", disse.

O secretário-geral disse que levará reivindicações dos jovens ao presidente Lula, a quem elogiou pelo "esforço no combate à fome e à redução da pobreza". Ele disse que cobrará apoio dos países industrializados. "Líderes dos países industrializados prometeram recursos que ainda não chegaram aos países em desenvolvimento", declarou.

No final da tarde, no Forte Duque de Caxias, no Leme, ele ainda participou de uma homenagem aos militares brasileiros da Missão de Paz da ONU no Haiti que morreram no terremoto.

Tudo o que sabemos sobre:
Ban Ki-moonONUfaveladesigualdadeRio

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.