Ban Ki-moon não irá à abertura dos Jogos de Pequim

Segundo a ONU, decisão foi tomada meses atrás devido a problemas de agenda.

Da BBC Brasil, BBC

11 de abril de 2008 | 03h05

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, não vai participar da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, marcada para 8 de agosto na capital chinesa.A porta-voz da ONU, Marie Mukabe, afirmou nesta quinta-feira que a decisão foi tomada meses atrás, devido a "problemas de agenda".Segundo Mukabe, Ban "comunicou o governo (chinês) alguns meses atrás que talvez não pudesse aceitar o convite para comparecer a esse importante evento devido a problemas de agenda".Isso significa que a decisão de Ban foi tomada antes dos protestos contra a dominação chinesa no Tibete, que começaram em março na capital tibetana, Lhasa, e posteriormente se espalharam para várias regiões da China. Essas manifestações foram reprimidas duramente pelas forças de segurança chinesas.De acordo com a correspondente da BBC na ONU, Laura Trevelyan, a organização parece preocupada em não dar a impressão de que a ausência de Ban seja um boicote aos Jogos Olímpicos.Tocha olímpicaManifestações contra a China têm acompanhado o trajeto do revezamento da tocha olímpica, e há pressão para que líderes mundiais boicotem os Jogos de Pequim.No final da tarde desta quinta-feira, a tocha olímpica chegou a Buenos Aires, única cidade da América do Sul prevista no roteiro de revezamento da chama.O governo da capital argentina já anunciou um esquema de segurança que envolve 5,7 mil pessoas, incluindo 1,2 mil policiais federais, para a passagem da tocha nesta sexta-feira. Ativistas argentinos afirmaram que seus protestos serão pacíficos, mas prometeram "surpresas".A chama olímpica foi acesa em Olímpia, na Grécia, no dia 24 de março, em uma cerimônia também marcada por protestos de ativistas pró-Tibete. A tocha deverá passar por um total 20 países até chegar a Pequim, no dia 8 de agosto, durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. Até agora, apenas em duas cidades pelas quais a tocha passou, Almaty (Casaquistão) e São Petersburgo (Rússia), não houve protestos.A passagem da tocha foi marcada por protestos em Atenas, Istambul, Paris, Londres e San Francisco.Dalai LamaDepois de deixar Buenos Aires, a tocha olímpica seguirá para a Tanzânia. A ambientalista queniana Wangari Maathai, ganhadora do Nobel da Paz de 2004, disse em entrevista a emissoras de TV que não vai participar do revezamento da tocha por causa "dos eventos que estão se desenrolando no Tibete há muito tempo".Maathai disse que apóia a realização dos Jogos na China, mas que gostaria "de ver um país que é desafiado, que está enfrentando esses desafios para o melhoramento do meio ambiente e do mundo de maneira geral".Nesta quinta-feira, o líder espiritual do Tibete, o Dalai Lama (que vive no exílio em Dharamsala, no norte da Índia), afirmou que a China merece abrigar os Jogos Olímpicos, mas que os manifestantes têm o direito de se expressar sem violência.Em Pequim, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, admitiu que os protestos realizados durante a passagem da tocha em diversas cidades provocaram uma "crise", mas disse os Jogos Olímpicos vão superar os problemas.Rogge pediu que a China respeite seu "compromisso moral" de melhorar sua política de direitos humanos antes dos Jogos.O governo chinês disse esperar que o COI se afaste do que classificou de "fatores políticos irrelevantes".Segundo o governo chinês, o Tibete é parte da China e o que acontece lá é problema interno do país.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.