Bananas: qualidade da lavoura ao transporte

Inovações tecnológicas e exigências do mercado consumidor fizeram com que fruta melhorasse aparência e sanidade

Tânia Rabello, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2008 | 02h08

Esteja o preço como estiver e independentemente da área cultivada, o bananicultor chegou a um ponto em que não é mais possível produzir sem qualidade. "Se não investíssemos numa fruta melhor não teríamos comprador", diz o fruticultor João Brianezzi Filho, que cultiva, junto com a esposa, Elisabete Ferreira de Freitas Brianezzi, 20 hectares de banana em Avaré (SP).   Veja também:  Mudas livres de doenças "O cliente nos cobra qualidade", confirma o agrônomo Leandro Piedade Damásio, da Sacramento Agropastoril, que produz, em Avaré, 2 mil toneladas anuais de banana em 40 hectares. Basta relembrar que, há cerca de uma década, não dava para imaginar que aquelas tradicionais pintinhas pretas na casca não fizessem parte da banana. "Hoje, dificilmente o consumidor vai a supermercados e se depara com bananas pintadinhas - sinal de que a casca foi picada por um inseto minúsculo chamado tripes", diz o agrônomo Antonio Rangel, diretor-técnico da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) de Avaré. A região de Avaré vem se firmando como o segundo principal pólo bananicultor do Estado, com produção anual de 35 mil toneladas, em 1.100 hectares, atrás da região de Registro, no Vale do Ribeira, que em 40 mil hectares chega a colher 1 milhão de toneladas por ano. Atualmente, explica Rangel, tecnologias como ensacamento dos frutos na lavoura - "Considerado uma loucura há uma década" - e a retirada do coração da bananeira logo que o cacho finaliza sua formação já garantem um bom controle do inseto e a boa granação de todo o cacho, "além de bananas sem manchas na casca". Caixas plásticas Os cuidados com a qualidade começam no campo e vão até o embarque da fruta, acondicionada preferencialmente em caixas plásticas que evitam, no empilhamento, o contato da caixa de cima com as bananas da caixa de baixo. "Esse atrito resulta em manchas pretas na casca durante a climatização (amadurecimento controlado) das bananas", diz Rangel. Se as caixas forem de madeira, antes de receber as frutas coloca-se um forro de plástico na parte interna, para evitar atritos. "Mesmo verde, a banana é sensível. Qualquer dano à casca fica marcado." As quinas da caixa de madeira também são mais altas para que elas, e não as bananas, suportem o peso do empilhamento. Lavar a banana, outra prática impensável há alguns anos,também virou rotina e há tecnologia para isso: ganchos com distância de 50 centímetros, para evitar o contato de um cacho com o outro, suspendem e transportam os cachos separadamente até uma piscina com água, detergente neutro e sulfato de alumínio. Essa tecnologia foi importada pela Epagri, de Santa Catarina, dos plantios equatorianos, tradicionais em exportação, diz Rangel, da Cati. Após a primeira lavagem, a penca é colocada sobre uma almofada de espuma e separada em buquês - pequenos cachos. Em seguida, vai para outra piscina com a mesma solução, cujo alumínio funciona como cicatrizante da parte cortada do cacho. Após limpos, os buquês são cuidadosamente acondicionados nas caixas. Rangel, que tem 30 anos de pesquisa em bananas, conta que antes os cachos eram colhidos, deixados uns sobre os outros sobre palha no campo, ao ar livre. Depois, empilhados em caminhões abertos, que transportavam a fruta, sem lavar, direto para os centros consumidores. "Hoje as pencas são, ainda no campo, acondicionadas sobre espumas em carretas sem bordas laterais", diz. "Pôr um cacho sobre o outro, nem pensar."

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