Banco de itens é desafio para exame seguro

Inep não revela número de questões pré-testadas; em 2011, quantidade era tida como insuficiente

O Estado de S.Paulo

28 Maio 2012 | 03h02

O Ministério da Educação (MEC) luta contra o tempo para equacionar um dos principais desafios já declarados para que o Enem tenha uma edição sem problemas em 2012: contar com um banco de itens em número considerável e seguro. A quantidade desse corpo de questões é tratada com sigilo no MEC, que realiza mutirão para compô-las.

O Banco Nacional de Itens do Inep é composto por questões usadas em diversas provas aplicadas pelo governo federal, como Enem, Prova Brasil e Enceja.

Desde 2009, quando se tornou vestibular, o Enem acumula falhas. Em 2011, esse banco esteve na berlinda. Mais de dez itens que foram pré-testados em um colégio no Ceará em 2010 caíram no Enem do ano passado, colocando em dúvida se o Inep contava com um número de questões considerado seguro.

O Estado solicitou por dois dias na semana passada o número de questões já arquivadas e pré-testadas. Também foi solicitada a informação de quantas questões seriam produzidas até a realização do exame. A solicitação não foi atendida e a reportagem apurou que esse é um tema que se tornou "sigiloso".

No fim do ano passado, as informações eram de que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas educacionais (Inep) contava com 6 mil itens, menos da metade do número considerado ideal - entre 15 mil e 20 mil.

Por causa do modelo adotado pelo Enem de Teoria de Resposta ao Item (TRI), as questões precisam ser pré-testadas para que sejam calibradas em níveis de dificuldades, possibilidade de acertos e probabilidade de chute. Na prática, a TRI confere peso diferente a cada questão de acordo com o desempenho de cada candidato nas questões.

A nota do candidato não depende de quantas questões ele acerta, mas sim da dificuldade dos itens respondidos. Assim, dois candidatos com o mesmo número de acertos podem ter pontuações diferentes. A TRI ainda permite que a prova seja comparável no decorrer dos anos - pelo menos desde 2009.

Em março, o MEC iniciou um mutirão para compor questões. A pasta instituiu a realização de oficinas de elaboração e revisão de itens em parceira com 24 universidades federais para compor o Banco Nacional de Itens.

A portaria que instituiu a parceria ainda permitiu que os professores dessas universidades possam ser convocados a qualquer momento para eventuais oficinas de "força-tarefa", caso o MEC identifique necessidade de elaboração de mais itens de alguma área específica. / P.S.

Um caderno de exercícios distribuído a alunos do Colégio Christus, em Fortaleza, dez dias antes do Enem de 2011 continham 14 questões que caíram no exame. As questões vazaram de um pré-teste realizado na escola um ano antes, conclui a Polícia Federal. O MEC anulou os 14 itens para 1.139 alunos da instituição. Eram estudantes do último ano do ensino médio e também matriculados no cursinho.

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