Banco de questões tem menos de 50% do necessário, diz ministro

Haddad admitiu que são cerca de 6 mil itens, enquanto o ideal seriam entre 15 mil e 20 mil; Enem tem 180 questões

O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2011 | 03h03

O ministro da Educação, Fernando Haddad, admitiu ontem que o banco de questões do Enem tem 6 mil itens, menos da metade do número que considera ideal a curto prazo - algo entre 15 mil e 20 mil. "Com isso dá para fazer edições semestrais do Enem se você tiver uma produção contínua de itens, de 2 mil ou 3 mil por ano. Se você tem fluxo, não é só o estoque que conta."

A Teoria da Resposta ao Item (TRI), modelo matemático aplicado no Enem, exige que as questões passem por testes antes de serem incluídos nas provas.

Nesses pré-testes, elas são respondidas por grupos de 600 a mil estudantes para definir seu grau de dificuldade de forma precisa, matemática, para tornar a prova comparável de ano para ano.

Para especialistas, o número limitado de questões pré-testadas torna o Enem vulnerável. O ministro, porém, considera exagerada a estimativa de que o banco precisa ter 50 mil itens. "Isso é necessário quando você faz prova gerada por computador", explicou Haddad, referindo-se a testes como Scholastic Assessment Test (SAT, exame de seleção para universidades americanas). "Hoje 40% dos candidatos fazem o SAT pelo computador e 60% na versão impressa. Aí, sim, você precisa de 50 mil itens,"

Para experts em TRI, o banco de itens, para ser seguro, deve ter, no mínimo, 10 mil questões de cada uma das quatro áreas de conhecimento em que é dividido o Enem.

"Seis mil é muito baixo. Um banco de 40 mil deveria ser pensado. Claro que isso não seria alcançado imediatamente, mas é necessário até para se proteger de eventos como esse que está acontecendo", explica Tufi Machado Soares, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Tufi Soares também defende uma divisão equilibrada entre o número de itens considerados de dificuldade mínima, média e alta - o que seria possível com um alto número de questões.

Se, por exemplo, num banco de 6 mil questões, apenas 100 são avaliadas como difíceis, a chance de elas aparecerem e se repetirem em pré-testes é grande, fazendo com que vários alunos tenham contato com elas antes da prova. "Por isso que um banco de 40 mil seria adequado", afirma ele.

Exigência. Para o professor José Francisco Soares, especialista em avaliações educacionais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), não adianta ter um banco de itens vasto se as questões não forem pré-testadas. "O pré-teste exige muito. Temos que ter uma grande amostra de questões porque precisamos pré-testá-las. Fazendo isso, tentamos diminuir o máximo a chance do aluno que foi pré-testado ser favorecido." / S.P. e MARIANA MANDELLI

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