Banco JBS vê espaço para dobrar empréstimos até 2012

Às vésperas de completar dois anos em julho, ainda com uma base pequena de clientes, o Banco JBS avalia que, com folga, dobrará os empréstimos aos seus fornecedores até 2012, afirmou o presidente da instituição nesta segunda-feira.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

14 de junho de 2010 | 17h52

Controlado pelo maior frigorífico de bovinos do mundo, o banco tem atualmente uma carteira de cerca de 230 milhões de reais, já tendo mais que duplicado seus empréstimos na comparação com 2009 (86 milhões de reais).

Para 2011, a instituição quer emprestar 350 milhões de reais, e para 2012, o objetivo é chegar a 450 milhões de reais, segundo o presidente do Banco JBS, Emerson Loureiro.

"São planos realistas... Temos um número ainda bastante reduzido de clientes, a proposta do banco é financiar os fornecedores de insumos do frigorífico, que abate (o equivalente a) 7 bilhões de reais por ano (no Brasil)", declarou Loureiro, referindo-se ao valor aproximado da matéria-prima adquirida pelo grupo.

O banco, que só faz operações com pecuaristas que se comprometem a abater no JBS, aposta no forte fluxo da empresa, que compra cerca de 600 mil cabeças de gado por mês no país, ressaltou o executivo.

Ele observou que o "grande filão" do banco é a compra de Cédula de Produto Rural (CPR), emitida pelo criador para assegurar a antecipação de recursos. O pagamento dos empréstimos é feito depois com o próprio boi entregue ao JBS.

"Eles emitem e nós compramos, a gente julga que o setor bancário tem uma grande dificuldade de alocar risco no setor, o agronegócio é misturado com a pecuária e agricultura, e bancos se sentem mais seguros em financiar os grãos do que efetivamente os frigoríficos", explicou.

"Então atuamos em um nicho que é mal compreendido, e acreditamos ter o conhecimento para atuar no setor."

REPLICAR NO EXTERIOR

Ganhando força no Brasil, o Banco JBS poderia seguir o mesmo caminho de internacionalização da empresa, que em poucos anos passou a contar com operações produtivas na Argentina, nos Estados Unidos e na Austrália, disse o executivo ao ser questionado sobre planos para o exterior.

"O banco é um modelo que estamos aprendendo e não descartamos replicá-lo em outros países, poderia ser na Argentina, Austrália, Itália, Estados Unidos... É possível sim", declarou.

"É um jogo em que as três pontas podem ganhar: o banco, que vai emprestar para alguém que vai ter oportunidade de diluir custos fixos e que também vai acabar ganhando mais dinheiro... E a empresa, que teria a oferta de determinado número de bois, que vai ter oferta aumentada", disse ele, lembrando da forte concorrência entre os frigoríficos.

A instituição também oferece opções para investidores, conforme explicou o presidente. "O banco tem esse lado dos empréstimos, mas o balanço dele é formado pelos dois lados, o ativo e o passivo. E do ponto de vista do passivo, a gente tem produtos interessantes de captação. Uma vez que financiamos o agronegócio, temos produtos isentos de impostos, são produtos imbatíveis na concorrência com qualquer fundo multimercado."

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