Bancos brasileiros querem exportar modelo para o mundo

Febraban recebe consultas e vai oferecer sistema a outros países em encontro em Miami

, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 00h00

Na assembleia anual da Federação Latino Americana dos Bancos, em Miami, a Febraban, que representa os bancos brasileiros, reservou uma suíte especial para fechar contratos de consultoria e implantar o DDA em outros países interessados.

Segundo empresários que acompanham a montagem do sistema, os bancos nacionais estão "esfregando as mãos" diante uma espetacular oportunidade de negócios no mercado internacional. Marcada para os dias 15, 16 e 17 de novembro, em Miami, a assembleia anual da Federação Latino Americana dos Bancos vai contar com uma grande - e agressiva - delegação verde-amarela.

"Queremos exportar nosso modelo eletrônico de compensação de títulos", afirma o diretor geral da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Wilson Levorato. "O DDA é a primeira solução desse tipo implantada com sucesso em todo o mundo. É natural que tenhamos fortes expectativas de prospectar e até de fechar negócios de consultoria e implantação".

São esperados em Miami cerca de 3 mil profissionais ligados de uma ou outra maneira à indústria financeira, de presidentes de conglomerados a fornecedores de equipamentos, produtos e soluções tecnológicas. Mais do que discutir as causas e efeitos da crise financeira global, as assembleias anuais da Felaban se caracterizam como grandes encontros de negócios, com lotação completa de hotéis, transformação de suítes em escritórios improvisados, com deslocamento de camas e incorporação de ambientes, e intensa movimentação de vendedores, lobistas e agentes comerciais.

Os bancos do continente, especialmente os dos Estados Unidos, costumam montar agências especiais com capacidade para a concessão de empréstimos milionários para empresas de comércio exterior. Nos anos pares, o encontro se realiza em algum país do continente - o de 2006 foi no Brasil e o de 2008, no Panamá. Nos anos ímpares, a agitação costuma ser maior, com a presença de um número mais expressivo de participantes e até mesmo de representantes de bancos europeus. Isso porque o endereço nestes anos é a capital da Flórida. Trata-se de uma regra de ouro da entidade que, em sistema de rotatividade, é presidida hoje pelo brasileiro Ricardo Villela Marino, filho da maior acionista individual do banco Itaú Unibanco, Milu Vilela. "Ninguém vai até lá a passeio", adverte Levorato. "A ideia é fazer negócios".

O CEO da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), Joaquim Kavakama, fará uma palestra de apresentação do DDA no dia do encerramento do evento.

Para atender às várias demandas de assistência, antecipadas à Febraban através de e-mails e telefonemas disparados dos quatro cantos do continente, ele falará dentro de um auditório com capacidade para 100 pessoas apoiado por um telão externo. A apresentação em power point repleta de números e gráficos já está pronta. "O sucesso da implantação do DDA já é um case mundial", comemora Kavakama.

Ele comandou uma equipe de 40 técnicos que ficou, em suas contas, 36 horas sem dormir às vésperas da estreia do sistema, segunda-feira 19 de outubro. "Há muitos países interessados em conhecer e criar condições para adotar nosso modelo."

O próprio CEO da CIP já percebeu o impacto no exterior da inovação causada pelo sistema de compensações brazuca. Na Itália, este ano, na cidade de Estreza, ao encerrar uma palestra em que adiantou o que iria ser feito por aqui, Kavakama foi abordado por profissionais de bancos finlandeses. Eles estavam espantados pela capacidade dos brasileiros em inovar no setor de tecnologia bancária.

"O que também chama a atenção dos estrangeiros é a capacidade dos bancos brasileiros de colaborarem entre si na criação de uma câmara de compensação eletrônica que favorece não apenas a eles todos, mas a sociedade em geral", assinala. O modelo de boletos eletrônicos já existe em países como Estados Unidos, Inglaterra e a própria Finlândia, mas em nenhum outro, além do Brasil, tem a dimensão nacional, com abrangência de 99% do sistema de pagamentos.

Dona da tecnologia envolvida no DDA e tarimbada pelo processo de desenvolvimento que durou os últimos três anos, a Câmara Interbancária de Compensação tem todos os requisitos legais para, se quiser, aplicar o seu produto em outras paragens. Melhor para os grandes bancos, que são sócios da empresa e poderão auferir lucros dentro do amplo arco que vai da prestação de consultoria à implantação efetiva do sistema.

"Neste momento, não sonhamos com a implantação do DDA em outros países porque nenhum deles está preparado para, sem vencer etapas anteriores, receber o sistema de uma hora para outra", ressalva Kavakama. "Mas podemos ensiná-los a como chegar até o nosso estágio atual". E quanto pode custar toda essa transferência de tecnologia? "É muito cedo para monetizar uma experiência que terá mais desdobramentos", despista.

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