Bancos miram crédito consignado em leilão do INSS

Os bancos privados venceram a maioria dos lotes do leilão da folha de pagamento de novos benefícios do INSS que terminou nesta quinta-feira.

ISABEL VERSIANI, REUTERS

06 Agosto 2009 | 17h24

Em dois dias de disputa, as instituições adotaram a estratégia de tentar garantir um aumento de base de clientes nas localidades em que possuem agências ociosas, em especial onde já haviam adquirido bancos estaduais.

O principal atrativo é a possibilidade de oferecer crédito consignado aos novos beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O Bradesco foi a instituição que arrematou o maior número de lotes --8 de um total de 26. Quatro dos lotes vencidos são de regiões onde a instituição comprou os bancos estaduais --Ceará, Maranhão, Amazonas e interior da Bahia.

"Já somos o segundo maior pagador de benefícios do INSS no país. Não podíamos ficar de fora do leilão", disse à Reuters o diretor-executivo do Bradesco Ademir Cossiello.

O Itaú Unibanco, com três lotes, também focou esforços nos Estados em que já detém os bancos estaduais. A instituição levou as tranches de Goiás e Distrito Federal, do interior do Rio e do Paraná.

O lote do Paraná, Estado em que o Itaú havia comprado o Banestado, saiu pelo preço mais elevado do leilão, a 2,70 reais por benefício.

O preço corresponde ao valor que os bancos terão de repassar ao Tesouro por cada novo pagamento aos beneficiários do INSS.

Até 2007, a Previdência pagava para que os bancos intermediassem o pagamento dos benefícios do INSS, com desembolso anual de cerca de 250 milhões de reais. Ao se dar conta de que se trata de uma base valiosa, já que os pensionistas são clientes potenciais das instituições financeiras, o governo federal resolveu virar o jogo e cobrar pelo direito de prestar o serviço.

Os preços dos lotes do leilão variaram entre 0,11 real, pela Região Norte, e os 2,70 reais do Paraná.

As tarifas gerarão uma receita de até cerca de 636 mil reais ao Tesouro Nacional no primeiro mês de cobrança, previsto para janeiro de 2010, levando em conta a estimativa do INSS para os benefícios a serem concedidos em cada região.

BANCO MERCANTIL DO BRASIL SURPREENDE

O mineiro Banco Mercantil do Brasil, de Minas Gerais, surpreendeu ao vencer cinco tranches, a segunda melhor colocação do leilão. A instituição levou os dois lotes de Minas Gerais e três lotes em São Paulo que englobam todo o Estado com exceção da capital.

"Somos um banco de rede com 150 agências no país, com foco na região Sudeste, e quisemos aproveitar esse potencial", afirmou o vice-presidente da instituição, André Brasil.

Ele disse que a principal atratividade da folha do INSS é a possibilidade de oferecer aos beneficiários crédito consignado, segmento em que o banco já atua.

O Banco do Brasil teve atuação tímida no leilão, arrematando apenas o lote do Rio Grande do Norte, a 1,04 real por benefício.

Por ter uma rede extensa de agências, contudo, o BB poderá garantir a prioridade de atendimento ao INSS em cidades onde não haja a presença das demais instituições.

A Caixa Econômica Federal venceu quatro lotes, em Santa Catarina, Pernambuco, Espírito Santo e Piauí. Em quatro outros lotes --capital de São Paulo, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte--, a Caixa brigou pela vitória, oferecendo o segundo maior preço.

O Santander, por sua vez, conquistou o direito de intermediar o pagamento aos novos pensionistas na cidade do Rio de Janeiro e em Salvador e proximidades.

O estadual gaúcho Banrisul levou a melhor nos dois lotes do Rio Grande do Sul.

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