Bancos não podem se viciar na ajuda dos governos, alerta Trichet

As instituições financeiras correm o risco de se viciar nos recursos baratos e abundantes dos governos, disse ontem o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, destacando que esse dinheiro será retirado quando a situação normalizar. Trichet ainda alertou os bancos de que os contribuintes não tolerarão que o setor financeiro volte aos grandes riscos e pagamentos de bônus após um generoso apoio público para ajudar o setor durante a crise financeira.

AGÊNCIAS INTERNACIONAIS, O Estadao de S.Paulo

21 de novembro de 2009 | 00h00

"Tratamentos de emergência e remédios fortes são necessários às vezes. Mas, se o uso é prolongado, podem levar à dependência ou mesmo vício", disse. "Uma hora, a administração de analgésicos deve ser interrompida se os pacientes voltarem a caminhar com seus próprios pés."

Trichet não deu mais informações sobre como o BCE irá anular gradualmente as medidas de estímulo. As autoridades monetárias do BCE se encontraram quinta-feira para discussões antes da reunião de 3 de dezembro.

Ele afirmou ainda que, apesar dos desenvolvimentos "benignos" no setor financeiro, é muito cedo para declarar o fim da crise.

Lorenzo Bini Smaghi, membro do Conselho Executivo do BCE, alertou que os mercados financeiros não devem assumir que, ao remover medidas anticrise, o BCE esteja preparando um aumento dos juros.

"Dado que a saída será gradual e vai envolver duas dimensões - as medidas não-convencionais implementadas pelos bancos centrais e o nível dos juros -, há o risco de que os participantes do mercado possam interpretar a decisão sobre uma das partes da saída como um sinal para que a outra também venha."

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