Bancos são criticados por falta de inovação tecnológica

Em congresso, usuários criticam falta de identificação nos serviços de atendimento e aparência de agências

Reuters,

12 Junho 2008 | 15h37

Uma agência bancária ainda tem hoje a mesma aparência de 30 anos atrás. O cliente, quando liga na central de atendimento ou se dirige a um terminal, não é identificado de imediato e precisa digitar diversas senhas para realizar cada operação. O uso do celular ainda engatinha.   Essas foram algumas das críticas que as instituições financeiras instaladas no Brasil receberam nesta quinta-feira, 12, durante um congresso de tecnologia para o setor.   Os bancos, entretanto, avaliam que, depois do grande salto trazido pelos serviços de banco online, o que tem havido é uma consolidação de novos serviços a partir da web. Inovações como uso do celular para pagamento de contas e a identificação do usuário por recursos de biometria (como a leitura da palma da mão ou da íris) ainda dependem de padronização, afirmam.   O executivo Elio Boccia, que dirigiu a área de tecnologia do Unibanco e hoje ocupa a mesma função na Medial Saúde, foi um dos primeiros a criticar. "Uma agência bancária é hoje exatamente igual a de 30 anos atrás", afirmou.   Para ele, o que acontece é que "há uma zona de conforto" entre bancos e empresas de tecnologia porque os bancos continuam a crescer e gerar rentabilidades e os fornecedores de tecnologia, por conseqüência, continuam a conquistar negócios. "As ameaças são poucas", disse ele, o que reduziria o estímulo para que os bancos mudem.   Terceirização   O presidente da HP para o Brasil, Mario Anseloni, afirmou que os bancos brasileiros já fizeram muitos avanços na infra-estrutura, nos sistemas de retaguarda. "A próxima onda deverá ser a personalização dos serviços em tempo real, para que o cliente possa ser atendido em qualquer lugar", disse.   Para isso, entretanto, ele considera que os bancos terão de lançar mão de terceirização de suas áreas de tecnologia. Mas a tarefa não é nada fácil. "A atual infra-estrutura dos bancos vai dificultar muito essa migração", argumentou.   Para Anseloni, os bancos ainda não exploraram as potencialidades da terceirização como outros setores. "(Eles) estão um pouco tímidos".   O executivo Renato Cuoco, ex-diretor de tecnologia do Banco Itaú, rebateu, entretanto, dizendo que "os fornecedores (de tecnologia) é que ficaram um pouco dormentes".   Segundo Cuoco, "é preciso ver se as soluções oferecidas trazem a confiabilidade, a qualidade e as condições econômicas desejadas".   Para Carlos Eduardo Corrêa da Fonseca, diretor de tecnologia da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), "depois da Internet, o que tem acontecido é uma consolidação de novos serviços a partir da web".   Mas ele ressaltou que os bancos estão constantemente avaliando inovações, como o uso do celular para pagamentos e da biometria para identificação dos clientes, mas esses são recursos que ainda dependem de padronização.   "O cliente já pode usar o celular para navegar no site do banco como faz no computador, mas a próxima etapa será realizar transações e pagar contas, o que depende de uma solução que possa ser usada em qualquer modelo de celular, de qualquer operadora e para clientes de qualquer banco", citou.   Fonseca acrescentou que os bancos trabalham na criação dos boletos virtuais para eliminar o uso de papel no pagamento de contas. O processo começa em junho do próximo ano e deve levar cerca de um ano para ser concluído. O cliente poderá optar pelo boleto em papel ou eletrônico.

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