Bancos se tornam o patrão mais generoso dos EUA

Em alguns casos, bônus pagos aos funcionários superam os lucros conseguidos no ano passado

Eric Dash, O Estadao de S.Paulo

28 de janeiro de 2010 | 00h00

THE NEW YORK TIMES

Descobrir os vencedores em Wall Street é geralmente tão simples como olhar os pagamentos. Raramente banqueiros que perdem dinheiro são pagos tão generosamente quanto os que o ganharam.

Mas este é um ano incomum. Um punhado de grandes bancos que está batalhando no mundo pós-salvamento tem se revelado, por algumas medidas, o empregador mais magnânimo. Aproximadamente 90 centavos de cada dólar que esses bancos ganharam em 2009 ? e às vezes mais ? estão indo para salários, bônus e benefícios de empregados, segundo relatórios de empresas.

Em meio a toda a comoção sobre os grandes bônus que muitos banqueiros estão recebendo, o que se destaca não é apenas quanto as grandes estrelas estão ganhando. É também quanto dos lucros as luzes mais fracas estão levando para casa.

Para competir com rivais prósperos, bancos como o Citigroup estão entregando a seus empregados uma parcela inaudita dos ganhos. O Citigroup pagou tanto a seus empregados em 2009 ? US$ 24,9 bilhões ? que a companhia mais que eliminou cada centavo de lucro. Após pagar seus empregados e devolver bilhões de dólares de salvamento, o Citigroup registrou um prejuízo anual de US$ 1,6 bilhão.

O Goldman Sachs está fazendo o impensável, concedendo a seus empregados uma parte incomumente pequena de seus lucros ? cerca de 45 centavos por dólar ?, apesar de que os pagamentos ficarão, em dólares, entre os mais ricos de todos os tempos. A maioria dos americanos ficaria encantada de receber um cheque de pagamento como o do Goldman. Se a remuneração fosse se estender aos 36,2 mil empregados do banco, cada um levaria US$ 447 mil para casa.

Mas, para se equiparar ao Goldman, retardatários como o Citigroup estão pagando gordas fatias de seus lucros, deixando pouco para os acionistas. De fato, o Citigroup está pagando a seus empregados US$ 1,45 por cada dólar que a companhia ganhou no ano passado. Em média, seus trabalhadores fazem jus a US$ 94 mil cada.

O Bank of America, por sua vez, está gastando 88 centavos por dólar que ganhou em 2009 para remunerar seus trabalhadores. No Morgan Stanley, o número é de 94 centavos. O JP Morgan Chase, que se saiu melhor que esses três, pagou 63 centavos por cada dólar.

Os bancos defendem suas práticas de remuneração. Dizem que alguns fatores, de encargos contábeis únicos à necessidade constante de atrair e reter talentos, moveram as decisões sobre remuneração. Mas, para alguns analistas e investidores, essa generosidade no pagamento vem sendo feita de forma a punir os acionistas, que já começam a reclamar uma parte maior dos lucros.

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