Banda larga no futuro poderá vir em pacotes

Provedoras norte-americanas cogitam limitar troca de dados para balancear consumo

Brian Stelter - The New York Times,

14 Junho 2008 | 16h47

Algumas pessoas usam a internet simplesmente para ler e-mails ou verificar algum número de telefone. Outros ficam conectados o dia todo, baixando arquivos de vídeo e de música. Deveriam eles pagar o mesmo preço de acesso?   Por anos eles pagaram, independente do quanto usassem de suas conexões - na onda do plano de internet com download sem limite. Mas agora três dos maiores provedores de serviço de internet dos Estados Unidos estão ameaçando cortar as asas de seus assinantes mais ativos ao impor limites mensais às suas atividades online.    Um deles, o Time Warner Cable, começou um teste de "medição de internet" em uma das cidades do Texas no começo deste mês, e perguntou aos consumidores para selecionar um plano mensal e pagar sobretaxas quando excedessem o seu limite de banda. A idéia é que as pessoas que usam mais do sistema paguem mais, da mesma forma como pagam por água, eletricidade ou, em muitos casos, minutos de telefonia celular.    Na mesma semana, a Comcast disse que iria expandir sua estratégia de gerenciamento de tráfego de internet: diminuindo a conexão de usuários ávidos em horários de pico. A AT&T também anunciou na quinta-feira, 12, que impor limites a usuários "de peso" era inevitável e que previa cobrar com base em volume de dados. "Baseados nas tendências modernas, a banda total no sitema da AT&T irá crescer cerca de quatro vezes nos próximos três anos", disse a companhia em um comunicado.      As três companhias dizem que impor limites na conexão de banda larga irá assegurar acesso justo a todos os usuários. Medições de internet é um retrocesso aos dias de oferecimento de serviços de internet discada, mas em época em que vídeos e jogos interativos se tornam mais e mais populares, os experimentos podem ter implicações grandiosas para o futuro da Web.     Milhões de pessoas estão se conectando para assistir a filmes e programas de televisão, jogar games interativos e conversar via videoconferência com amigos e familiares. Ao mesmo tempo, as empresas de mídia estão tentando fazer com que as pessoas passem mais e mais tempo online: as emissoras colocam seus programas e filme na rede, dando aos consumidores entretenimento conveniente que suga bastante conexão de banda larga.   Na contramão   Ainda além, companhias com sede física, como a Blockbuster, estão se encaminhando em direção a formas digitais de entrega de entretenimento. E novos distribuidores de conteúdo online - por exemplo, o YouTube - estão se baseando em filtros de dados abertos para fazer seus projetos.   A internet "é como nós entregamos os nossos programas", diz Jim Louderback, chefe-executivo da Revision3, uma empresa de mídia de três anos de idade que coordena o que chama de sistema de televisão pela internet. "Se de repente nossos expectadores se preocuparem com algum tipo de limite de banda larga, eles podem pensar duas vezes antes de fazer o download ou ver os nossos programas".   Mesmo se o limite for bem abaixo o consumo de internautas comuns, a sua mera existência poderia ocasionar que usuários diminuam seu tempo online. É só perguntar para pessoas que monitoram atentamente seus pacotes mensais de minutos e mensagens em suas contas de telefone celular.   "Assim que você coloca incertezas de custos na mesa, a sensação de liberdade das pessoas em prever gastos diminui, da mesma forma que a inovação e tentativas de novos aplicativos", diz Vint Cerf, o chefe de evangelização do Google disse em um e-mail.       Mas as companhias que pretendem impor os limites dizem que essa atitude é apenas justa. Pesssoas que usam mais banda devem pagar mais, argumenta a Time Warner. E a Comcast diz que pessoas que navegam muito - como aquelas adeptas do compartilhamento de arquivos - devem ser forçadas a diminuir.   A Time Warner também mensura o problema em termos financeiros: a estrutura de banda larga precisa ser melhorada, diz a empresa, e talvez esse sistema de controle possa pagar pelas atualizações. Até agora, os testes estão limitados a novos clientes em Beaumont, Texas, cidade com cerca de 110 mil habitantes.   Nesse teste, novos consumidores podem aderir a planos com limite de 5, 20 ou 40 gigabytes, com preços que variam de US$ 30 a US$ 50. Se passarem dessa quantia, os internautas pagam US$ 1 por gigabyte. Planos com limites mais altos são acompanhados por conexão mais rápida.   "Consumidores médios ficam bem abaixo do limite", dis Kevin Leddy, vice-presidente executivo para tecnologias avançadas da Time Warner Cable. "Esses limites dão a eles anos de crescimento antes do dia que devem começar a pagar qualquer sobretaxa".    Usuários de internet casuais, que somente mandam e-mails, checam o horário de filmes do cinema ou lêem notícias online não devem ultrapassar os limites. Mas quem assiste a programas de tevê no Hulu.com, aluga filmes no Itunes ou joga games em rede, como o Halo do Xbox, poderá exceder esse limite - e jaó milhões os internautas que fazem tudo isso.   Assistir um vídeo de uma hora no Hulu online consome cerca de 200 megabytes, ou um quinto de gigabyte. Se o conteúdo for comprado pela loja online da Apple, o iTunes, pode usar até 500 megabytes da conexão, ou meio gigabyte.   A Time Warner não divulga quantos gigabytes por mês um consumidor médio utiliza, mas fala apenas que 95% dos internautas usam menos que 40 gigabytes por mês. Isso significa que 5% dos consumidores usam mais que 50% de toda a capacidade do servidor, disse a companhia, e muitas dessas pessoas são suspeitas de compartilhar vídeos e músicas sem respeitar direitos autorais.        Discórdia Companhias de mídia, por sua vez, estão do outro lado desta batalha, e acompanham os experimentos da área, como o feito pela Time Warner, com agitação.   "Nós odiamos isso", disse um executivo sênior de uma grande companhia de mídia, que pediu para não ser identificado porque sua companhia, como a maioria das grandes empresas de comunicação em massa, devem se comportar bem com as companhias de operação de cabo que agora impõe os limites. Agora que alguns programas de tevê são vistos milhões de vezes pela internet, disse o executivo, nenhum impedimento irá ferir o modelo de publicidade para transmissão de vídeos online.     Leddy, da Time Warner, disse que os medos das companhias de mídia já foram superados. "Nem se quiséssemos parar a proliferação de vídeos pela Web nós conseguiríamos", disse ele. "Nós sabemos quanta capacidade será necessária no futuro, e sabemos quanto isso custará. E o modelo de negócios de hoje não paga muito bem por isso.

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