Bangladesh condena líder islâmico à morte e desencadeia protestos

O tribunal de guerra de Bangladesh condenou o líder do partido islâmico Jamaat-e-Islami à morte nesta quarta-feira por crimes contra a humanidade, incluindo genocídio, tortura e estupro, durante a guerra de independência do Paquistão, em 1971.

SERAJUL QUADIR, REUTERS

29 de outubro de 2014 | 10h57

A sentença aplicada a Motiur Rahman Nizami, ex-parlamentar e ministro de 71 anos, provocou protestos, alguns violentos, de apoiadores de seu partido, que dizem que o governo usou o tribunal para enfraquecer seus adversários políticos.

“Considerando a gravidade dos crimes, o tribunal o puniu com a pena de morte”, declarou o promotor federal, Mohammad Ali, a repórteres.

Nizami já tinha recebido a mesma condenação por um caso de contrabando de armas em janeiro.

O Jamaat-e-Islami disse em um comunicado que o povo de Bangladesh ficou “surpreso, atordoado e profundamente entristecido” com o veredicto desta quarta-feira, e pediu uma greve geral de 24 horas a partir de quinta-feira e uma paralisação nacional de 48 horas a começar no domingo.

A polícia afirmou que ativistas do Jamaat protestaram pouco depois da sentença e que cerca de 90 deles foram detidos no distrito natal de Nizami.

Policiais dispararam balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar os ativistas do Jamaat e do Shibir, o braço estudantil do partido, na cidade de Sylhet, no nordeste do país e a 280 quilômetros da capital, Daca.

Eles vandalizaram cerca de 20 veículos, e mais de uma dúzia de pessoas ficaram feridas nos confrontos com a polícia.

Policiais adicionais e forças paramilitares foram mobilizadas em todo o país.

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