Banho de sangue encerra campanha eleitoral no Paquistão

Atentado suicida mata 37 em comitê da oposição dois dias antes do pleito parlamentar.

Rodrigo Durão Coelho, BBC

16 de fevereiro de 2008 | 16h00

Um ataque suicida marcou, neste sábado, o último dia da campanha eleitoral para as eleições parlamentares paquistanesas da próxima segunda-feira.Informações vindas da remota região tribal de Kurram, próxima à fronteira com o Afeganistão, dizem que a explosão de um carro-bomba matou pelo menos 37 pessoas, incluindo o motorista suicida, na cidade de Parachinar. Outras 90 ficaram feridas.O alvo do ataque foi um escritório de um partido ligado ao partido oposicionista PPP (Partido do Povo Paquistanês), da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada no dia 27 de dezembro.Nos últimos meses, a oposição vinha repetidamente acusando o governo não só de negligência no combate à violência, mas também de patrociná-la. SegredoApenas no ano passado, mais de mil simpatizantes de partidos que se opõem ao presidente Pervez Musharraf foram mortas em ataques durante reuniões políticas.Por isso, as principais agremiações partidárias não realizaram os tradicionais comícios que costumam ocorrer na reta final das campanhas, reunindo milhares de pessoas.Ao contrário, os modestos encontros assumiram ares de clandestinidade."Quando chegar ao Paquistão, mando-lhe uma mensagem de texto indicando onde será o último comício", disse o assessor de imprensa do PPP à BBC."Isso não é assunto que se converse ao telefone", disse o assessor do outro grande partido de oposição, o PML - N.GravaçãoApesar da ausência de um grande ato, as lideranças partidárias se articularam neste sábado. O líder interino do PPP, Asif Ali Zardardi, disse à BBC que o ataque deste sábado seria de "responsabilidade do sistema em que temos vivido nos últimos oito anos", em referência ao governo de Musharraf.Zardari se recusou a divulgar decisões que tenham sido tomadas durante o encontro, dizendo apenas que "falamos sobre (a formação de) um governo com ampla base social". "Espero ganhar, mas não espero que as eleições sejam livres e justas porque todos os observadores disseram que o processo está sendo manipulado", disse ele.Na quinta-feira, a ONG Human Rights Watch divulgou uma gravação na qual o procurador-geral do Paquistão, Malik Qayyum, supostamente admite que ocorrerá fraude no pleito da segunda-feira.O governo disse que a gravação, além de falsa, é uma tentativa de desestabilizar o país. Musharraf afirma que o governo não vai permitir que a oposição tome as ruas em protesto se houver suspeita de fraude, como alguns partidos ameaçaram."Esta é uma decisão séria, que teríamos que tomar junto com outros partidos", disse Zardari.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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