Barein condena quatro à morte por assassinato de policiais

Uma corte militar do Barein condenou à morte quatro homens acusados de matar dois policiais na onda recente de protestos no país, de acordo com a imprensa estatal. A decisão pode aumentar a violência sectária em um forte aliado dos Estados Unidos.

REUTERS

28 Abril 2011 | 17h01

A decisão acontece no momento em que cresce o antagonismo entre a maioria muçulmana xiita no Barein e a família sunita que está no poder, depois que o reino insular esmagou os protestos anti-governo no mês passado com apoio militar de outros governos sunitas da região do golfo árabe.

Foi a terceira vez em mais de três décadas que a pena de morte foi usada contra cidadãos do Barein, um aliado dos EUA que tem em seu território uma frota da marinha norte-americana.

Um dos casos anteriores de pena de morte no país aconteceu em meados da década de 1990, durante a maior agitação política que o Barein tinha presenciado -- até este ano. Um manifestante foi morto por pelotão de fuzilamento por ter assassinado um policial durante os protestos.

Outros três acusados no caso atual foram condenados à prisão perpétua, segundo a imprensa estatal. Grupos de defesa dos direitos humanos e parentes dos condenados, todos xiitas, rejeitaram o julgamento classificando-o de farsa.

"Eles eram ativistas nos seus vilarejos e acreditamos que eles foram punidos por conta da militância deles", disse Nabeel Rajab, responsável pelo Centro de Direitos Humanos no Barein. "Isto vai aumentar o fosso entre a elite no poder e a população."

O grupo libanês xiita Hezbollah condenou as sentenças, dizendo que a decisão é parte "do crime contínuo cometido pelo regime do Barein contra as pessoas do Barein ... Elas estão expostas à opressão severa por demandar os seus direitos legítimos."

A agência de notícias estatal do Barein disse que poderá haver apelação contra os veredictos e que os réus têm "toda garantia jurídica definida pela lei e com as normas de direitos humanos."

As garantias oficiais são questionadas por parentes do condenados que estavam no julgamento.

"Até as acusações se contradiziam entre si", disse um parente de um dos réus condenados à morte. Ele acrescentou que havia discrepâncias entre as declarações dos promotores e os relatórios escritos no momento dos assassinatos.

O grupo de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional disse que o Barein não deveria adotar a pena de morte. Malcolm Smart, diretor da Anistia para o Oriente Médio e Norte da África, afirma que os acusados foram julgados por uma corte militar e só poderiam apelar para uma corte militar, o que "levanta muitas dúvidas sobre a equidade de todo o processo".

Ao menos 29 pessoas foram mortas desde o início dos protestos. Destes, apenas seis não eram xiitas, o que inclui dois estrangeiros -- um indiano e um bengali -- e quatro policiais.

A recente onda de protestos começou com manifestações políticas lideradas por xiitas em fevereiro que exigiam maior liberdade política, uma monarquia constitucional e o final da discriminação sectária. Apenas alguns grupos xiitas pediram o final da monarquia.

Os xiitas do Barein afirmam que a família real do país sistematicamente impede acesso igualitário a emprego e a terra.

O Barein, culpando as potências regionais vizinhas como o xiita Irã pelas manifestações, declarou lei marcial e pediu o apoio de tropas dos vizinhos sunitas do golfo árabe.

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